Ciro e Greta Garbo
- Professor Seráfico

- 8 de jun.
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A patética situação a que chegou Ciro Gomes fez-me lembrar a bem-sucedida peça teatral Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá. Do dramaturgo
Fernando Mello, foi encenada pela primeira vez em 1973. Em 1974, Raul Cortez, Eduardo Moscovis e Arlette Salles foram dirigidos por Wolff Maia. No palco, era contada a história de Pedro, enfermeiro deslumbrado com a atriz sueca. A tal ponto, que tentou imitar a vida daquela estrela. Até que encontrou Renato e levou-o para casa. Estabeleceu-se, então, uma relação afetiva entre os dois. O que não impediu Renato de apaixonar-se por Mary, uma prostituta frequentadora dos prostíbulos daquele bairro do Rio de Janeiro. Volto a Ciro Gomes, ex-ministro no primeiro governo Lula (2003-2005). Membro do Conselhão - Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, testemunhei a firmeza e a segurança com que o ex-governador do Ceará discorria sobre a realidade brasileira. Sempre dispondo de números e de informações atualizadas, Ciro revelava-se como uma promissora liderança política, transbordando seu talento de Sobral e do estado nordestino. Não sei quando a vida do ex-ministro de Lula foi visitada pelo seu Renato. Sei, porém, que pouco a pouco o antigo aliado de Tasso Jereissati trocou o charme de Greta Garbo e o vínculo com Pedro pela boemia do subúrbio fluminense. Só sei que Ciro Gomes não desperta mais o interesse dos que pretendem dar rumos mais dignos a esta nação que espera por um projeto à altura do talento da ex-mulher de Roberto Rosselini. Rejeita, portanto, a vida periférica de Mary. E deplora a decadência política (só?) do antes respeitável paulista que se fez nordestino.

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