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Caspa e escada

Atualizado: 21 de mai. de 2025

Coube ao jornalista Octavio Guedes, da Globo News, ironizar a conduta do ex-Comandante do Exército, General Freire Gomes, no depoimento por este prestado ao Ministro Alexandre de Moraes, na manhã da última segunda-feira. Naquele dia, e no STF, Guedinho, como o chamam os colegas, lamentou os imbecis que precisam tanto de um herói, que acabam por frustrar-se nessa busca a que Bertolt Brecht atribui caráter absolutamente imbecil. O autor de A exceção e a regra e, dentre outras, Os fuzis da Senhora Carrar, disse que é infeliz a nação que precisa de heróis. Os ditadores sabem disso, tanto que inventam guerras, sempre que se veem ameaçados de serem apeados do poder. Pois bem, o general que o réu atualmente preso e colega de Gomes Freire, Braga Netto chamou de cagão (com perdão da palavra, usada aqui apenas para ser mais fiel ao pronunciamento do ex-interventor do Rio de Janeiro, de resto utilizada com frequência em certos ambientes) desmentiu o que dissera antes, depondo para autoridades policiais. Interpelado pelo Ministro-relator dos crimes praticados contra o Estado Democrático de Direito, o ex-comandante do Exército primeiro disse nunca ter mentido em seus 50 anos de vida militar. Para, confrontado pela gravação de seu depoimento anterior, cometer o que, ao ver de todo cidadão lúcido, será o início de nova postura face à verdade dos fatos e das coisas. Guedinho imaginou que a imbecilidade dos que constroem e seguem falsos heróis leva-os a criar protagonistas com capa e espada, como no romance Os três mosqueteiros, de Dumas. O jornalista só não disse que, nos tempos atuais e levando-se em conta os agentes dos crimes, seus heróis podem assemelhar-se a Athos, Portos e D'Artagnan apenas pela probabilidade de terem a cabeça coberta de caspas e, ao invés da espada, estarem em busca de uma escada que os faça subir, quando o tempo impõe a mais provável descida.

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