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Caninos afiados

Quatro políticos mineiros foram os primeiros a visitar o principal réu pelos atentados e crimes contra a democracia, a Constituição e a república. Antes mesmo que o partido e aliados mais próximos ao que o STF chama de condutor de uma organização criminosa, começassem a reagir, Nikolas Ferreira e três de seus companheiros de trágica jornada foram emprestar-lhe solidariedade. Depois disso, todo o País pode ver uma bandeira saudando e reverenciando o autor da celeuma que pretende levar o caos onde quer que seja desfraldada. Mesmo proibidos de reunir-se em dependência da Câmara dos Deputados, os inimigos das instituições republicanas e democráticas insistiram em protestar contra a fixação de tornozeleira no principal articulador do frustrado golpe de 08 de janeiro de 2023. Lá mesmo, no Estado em que um dos mais dignos filhos, Joaquim José da Silva Xavier, foi enforcado e teve seu corpo desmembrado, para ser exposto e servir de exemplo aos que pretendessem livrar o Brasil da subordinação à coroa portuguesa. Hoje, representantes eleitos por esse mesmo povo acham-se no direito de conspurcar a memória de Tiradentes, proclamando – e disso se orgulhando – submissão aos governantes de um império em acelerado processo de decadência. A bandeira ostentada, sobre ser um agressivo desrespeito à dignidade nacional, simboliza muito além disso. Desvenda, sem meias palavras, os compromissos da maioria da Casa supostamente representante dos interesses populares, com ideário capaz de anular a pretensão e a hipocrisia do discurso dos que se dizem democratas e patriotas. Nem uma coisa, nem outra. Quando o governo de um país que vê ruir sua influência e seu poder sobre todas as demais nações do Planeta busca estabelecer o caos no mundo, difícil era apenas imaginar quantos Joaquim Silvério do Reis (ele também mineiro, me lembrará algum irônico observador) surgem das sombras e, expostos à luz do sol, mostram quanto é possível trair os ideais de Tiradentes. Não que outros participantes da Inconfidência tenham ao menos tentado salvar o alferes do glorioso, ainda que trágico, destino que lhe ofereceu a corte portuguesa. De diferente, porém, há o ambiente que cerca os dois acontecimentos. Um, quando o autoritarismo era majoritário; agora, quando a democracia tenta consolidar-se na maioria dos países.

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