As dores de Marx e outros
- Professor Seráfico

- há 2 dias
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Se ainda não houvessem números suficientes para mostrar quanto o capitalismo é nocivo à sociedade humana, recentes registros estudados por cientistas japoneses suprem a suposta carência estatística. Mesmo sabendo-se quanto doenças adquiridas por causa do trabalho ocorrem em todos os países, o Japão parece mais afetado pelo fenômeno. As justificativas de ordem cultural, que atribuem o fenômeno ao amor ao trabalho, levando ao lá chamado karaoshi, não explicam tudo. Servem, porém, para acender a luz de alerta que deve preocupar todos os governantes, mundo afora. Do ponto de vista ideológico, nada influi nos graus de ocorrência do fenômeno, conhecido no Brasil como em todos os demais países. Até porque, em lugar nenhum do mundo as relações sociais fogem ao neoliberalismo, de que a China mostra a intenção de afastar-se. Em região onde o trabalho nos canaviais causa males e mortes em índices expressivos, de que Araçuí (MG) é o exemplo, chama-se a isso binole. Lá e cá, e em todos os continentes, a exploração do trabalho humano tem sido a marca mais visível dos valores fundamentais do capitalismo. Nada a surpreender, sempre que o egoísmo e a competição reinam soberanos. Mesmo – e até mais por isso - se a tecnologia vem anunciada da poupança do esforço dos trabalhadores, a consequência mais provável (a experiência assim o diz) é o desemprego. Se a introdução das inovações tecnológicas promove acumulação em escala excepcional, ela também gera novas e maiores necessidades no principal agente da produção – o trabalhador. No país onde o capitalismo mais avançou, é expressivo o número de pessoas que morrem à porta dos hospitais, apenas porque não têm como pagar os serviços negados pelo estado norte-americano. Pequenos avanços, como experimentados durante a gestão de Barack Obama, têm sido reduzidos ou eliminados. E nada indica que essa tendência será interrompida, pelo menos enquanto o soba atual permanecer no poder. Marx, se vivo fosse, enfrentaria problema de que só os filósofos (os quixotescos, também) têm consciência – previsões desagradáveis a quem as faz, sempre lhes trazem dores, quando se confirmam.

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