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Ar que desmancha

Se o que é sério e tem algum fundamento desmancha-se no ar, imagine-se o que não é mais que um acidente, um absurdo ou fenômeno apenas hilariante?! Mesmo o indivíduo mais racional é capaz, voluntária ou involuntariamente, de protagonizar situações dessa natureza - acidental, absurda e ridícula. Quando a racionalidade está ausente e o protagonista aparenta assemelhar-se aos humanos, ele mal consegue esconder suas peculiaridades. Como o rei distraído, então, só ele não percebe sua própria nudez. Basta-lhe vestir-se de bobo da corte, carrasco pronto a sacrificar terceiros, detentor de poder que só ele pensa vitalício, para julgar-se imune à rejeição alheia, ao repúdio generalizado, ao apodrecimento em vida. É de sua índole, porque tamanha a ignorância, desdenhar das virtudes alheias, como o é alegar virtudes das quais sequer se aproxima. O resultado, desagradável para protagonistas de tal jaez, não demora a ser exposto. O ódio inspirador das agressões por eles promovidas são-lhes devolvidas, com frequência, pelos que lhes foram mais próximos e juravam fidelidade eterna. O processo que leva ao momento do desmanche final, nestes casos, é acelerado. Privados do palco de onde emitiram suas palavras chulas e malsãs e tendo interrompida sua deletéria existência, esses miseráveis seres, só por equívoco ou descuido considerados humanos, experimentam a morte quando o sangue ainda lhes percorre veias e artérias. Como se a natureza lhes cobrasse por tanto mal que produziram. Nesses momentos, descobre-se quanto não basta ao quadrúpede pisar apenas com as duas patas traseiras, para fazerem-se humanos. Incapazes de reagir como reagiriam outros seres que se tornaram humanos, trazem a público espetáculo patético e asqueroso, a que não faltam lágrimas e apelos à comiseração de seus contemporâneos. Afinal, é chegado o momento de receber dos dignos o único sentimento merecido pelos miseráveis.

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