Anomia e ditadura
- Professor Seráfico

- 21 de set.
- 2 min de leitura
Se a ditadura é um mal a ser permanentemente combatido, a anomia não é mal menor. Como os autoritários sentem desconforto, quando os valores democráticos parecem fortalecer-se, eles preferem a única alternativa que aparenta trazer-lhes os benefícios e privilégios pretendidos. No caso da busca de anistia para os criminosos que a mais alta corte de Justiça condenou, tornar letra morta a ação dos poderes constituídos surge como a tábua de salvação. A insubmissão ao resultado do julgamento dos terroristas de todo nível representa, não menos, nova agressão ao Estado Democrático de Direito. À invasão das tarefas que qualquer República defere ao Poder Judiciário, agora acrescentam-se outros crimes, embora não faltem ações a que a Polícia Federal, o Ministério Público e o Poder Judiciário devem prestar serviços. As ameaças do Presidente do PL, o notório Valdemar Costa Neto, contra o Presidente do Senado, ofende menos o senador Alcolumbre que o Senado Federal. É, também, inspirado pelo mesmo interesse do sequestrador comum, uma chantagem como todas as demais. Se, em si mesmas, as ameaças merecem as investigações seguidas de suas consequências legais, fazê-las com criminosa obstrução do funcionamento regular daquela Casa legislativa é erro de gravidade ainda maior. Nada pode ser analisado adequadamente, se for perdido de vista o objetivo comum aos que apostam todas as suas fichas na derrubada do atual governo. Como o golpe tentado até 08 de janeiro de 2023 foi frustrado pela ação do Poder Judiciário, os delinquentes já apenados atraem e juntam-se aos que ainda estão por enfrentar a barra dos tribunais. Promover e provocar o conflito interinstitucional, como vem ocorrendo, ofende a República e desafia, além dos poderes republicanos e o Estado Democrático de Direito, a vontade da maioria dos brasileiros. A mesma que, elegendo Lula, agora se manifesta majoritariamente contra a anistia. É chegada a hora de restabelecer certos conceitos e valores, para repor o patriotismo e o respeito às instituições. Dizer sonoríssimo NÃO aos que usam a bandeira de outra nação, depois de atribuírem as cores do pavilhão nacional à operação golpista que assassinaria três agentes públicos é o mínimo que os homens dignos deste país têm a fazer. A gravidade do momento reduz à expressão mais simples o dilema a enfrentar: democracia ou ditadura? Essa a encruzilhada que nos convoca. Ulstra ou Alexandre de Moraes? Tortura e assassinato ou devido processo legal? São outras das muitas expressões que traduzem nosso momento. A PEC da Bandidagem é peça dessa trama ignóbil. Isso também não pode ser esquecido.

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