Acumulação e endividamento
- Professor Seráfico

- há 8 horas
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Melhor dizem os números oficiais, do que poderiam dizer os observadores mais isentos e indignados. Manaus, a capital do PIM, ostenta posição escandalosa, quando se trata da desigualdade. Periodicamente, os resultados da criminosa acumulação de riqueza são divulgados, daí o motivo para o júbilo e as comemorações dos beneficiários das vantagens auferidas. Ao mesmo tempo, divulgam-se informações sobre o endividamento das famílias, igualmente apuradas por órgãos oficiais. Chega ao absurdo de 84% a quantidade de famílias residentes no Estado incapazes de satisfazer a voracidade usurária dos credores. Para os que têm olhos de ver, nada que surpreenda. Além das redes e sítios da internet, outras formas de oferecer produto tão farto quanto nocivo vêm sendo usadas para aumentar a velocidade e o montante dos lucros retidos em pequeníssimo percentual dos que os obtêm. Dentre esses inovadores meios de oferecer dinheiro, destacam-se volantes distribuídos em locais públicos e cartazes afixados em muros, paredes e postes, em lugares estratégicos da cidade. Torna-se, então, transparente a situação produtora dos dois fenômenos - a criminosa distribuição da riqueza e o endividamento das famílias. Verifica-se, sem a necessidade de sofisticar as análises, quanto dinheiro é detido em tão poucas mais, enquanto a falta dele, em 84% das famílias. Nunca será demais lembrar, uma contradição ao dogma da mais férrea lei do sistema capitalista. Nesse caso, a abundância do dinheiro ofertado não impede a prática da mais abjeta e desumana exploração de que são vítimas os que exaurem suas forças no processo que produz a riqueza. Se é justificada a indignação dos cidadãos de bem, o único benefício que eles obtêm é permitir que também se identifiquem os verdadeiros inimigos da zona franca de Manaus. Sem exercícios de malabarismo mental ou sofisticados - e falsos - raciocínios.

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