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Acham pouco

Sou do tempo em que aos guarda-civis cabia a vigilância nas cidades. Tais servidores tanto guardavam os prédios públicos, cuidando para que eles não sofressem ataque e depredação, como ocorreu com o Palácio do Planalto, em 8 de janeiro, quanto intervinham em incidentes que envolviam os munícipes. À noite, era frequente ouvir-se o trinado de apitos com que os guardas noturnos comunicavam-se uns com os outros. Se alguns moradores tinham seu sono perturbado, outros experimentavam a sensação de que o poder público lhes assistia mesmo enquanto dormiam. Sem qualquer pretensão saudosista, descrevo essa situação para compara-la com a realidade que construimos e em que vivemos. Melhor seria dizer convivemos, mas sobreviver é o verbo mais adequado, quando a morte - o medo dela e a gana por produzi-la - é a inspiradora da conduta de muitos. Dentre esses, parlamentares que acham inexpressiva, desprezível quase, a violência presente, todo dia, dia e noite, em todas as cidades brasileiras. Justamente considerados membros da bancada da bala, não perdem a oportunidade de revelar suas trágicas e infelizes intenções. Um deles, conhecido por nome referido às atividades anteriores ao (maldito) mandato que lhe foi conferido, propõe a ampliação das obrigações das guardas municipais. Se o projeto de emenda constitucional por ele apresentado for aprovado, não será o som dos apitos que acordará os moradores das cidades brasileiras; o barulho da detonação assassina não permitirá que se durma. A reprodução do que ocorre nos morros do Rio de Janeiro, na periferia de São Paulo e em muitas outras cidades brasileiras. Será lucro, se ao fim de cada intervenção da guarda municipal não se contarem mortos cada dia mais numerosos. Por balas perdidas, dirão os promotores da violência. Alguns dos quais, amealhando outro tipo de lucro. Guardem o nome do deputado. Sargento Portugal, do Podemos-RJ.

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