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A utopia como necessidade

A leitura de matéria escrita por Márcio Pochmann levou-me a refletir sobre o desencanto - pior que isso, desesperança - que se abate sobre grande parte da juventude brasileira. Mostrou o ex-Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA o cenário oferecido e no qual atuam os construtores do futuro no Brasil não lhes é muito propício. Poucas são as razões para que eles se empolguem, parte porque até agora se frustraram as melhores expectativas geradas pelas mudanças sociais e tecnológicas. O também ex-Presidente do IBGE, por muitos considerado um petista radical, menciona vários motivos para a juventude brasileira embarcar nas canoas furadas vendidas como novas formas de ascensão sócio-econômica e inserção no mercado. Dentre elas, e com relevo, as falsas ideias do ser patrão de si mesmo e da educação como fator fundamental da mobilidade social. Como se ninguém conhecesse um doutor na direção de um táxi ou um suposto beneficiário dos perversos planos de demissão voluntária que esgotaram nos dois primeiros anos de despedidos tudo quanto receberam para abrir mão do emprego. Apenas me entregava às reflexões que o texto do economista da UNICAMP publicou, veio-me a notícia de que multidões de jovens lotam as ruas de Teerã e outras cidades do Irã. Seria impossível esquecer de minha própria juventude, como parte de uma geração que se cria capaz de mudar o mundo. Óbvio que não o fizemos, mas as primeiras frustrações não conseguiram tornar esmorecido o desejo (sonhos, mais que isso) de deixar para os nossos pósteros algo que desse testemunho de nossas utopias e - mais importante, ainda -da certeza de que elas podem ser toda alcançadas. A capacidade de entender que tudo quanto passa pela cabeça do homem é factível tem faltado, em especial nestes primeiros cinco lustros do século XXI. Nada, porém, que não possa ser atribuído aos próprios habitantes do Planeta. Quando Leonardo Da Vinci imaginou seu parafuso aéreo (fim do século XV) ele estava apenas no pleno e promissor exercício da utopia. Lá encontrei razão para achar que a utopia é apenas o lugar aonde ainda não chegamos. Sem ela, porém, o máximo que alcançaremos é a morte da Terra e de suas gentes. Daí também, a ideia-mestra que me tem levado à frente: sonhar o possível é tarefa dos medíocres.

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