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A praça dos podres poderes


Toffoli não precisa só de um bom advogado, mas de um ficcionista imaginativo, para contar a história do Resort Tayayá


Nelson Motta*


A harmonia e o equilíbrio entre os três poderes são o alicerce da República e da democracia. Mas hoje os três, cada um ao seu modo, estão em busca de mais poder e privilégios para os seus, os três em acelerada decadência ética, marcados por escândalos desmoralizantes. Quem está pior? Executivo, Legislativo ou Judiciário? Quem ganhou mais poder e dinheiro público para gastar com seus interesses eleitorais e pessoais? Quem se deu poder absoluto para julgar e condenar golpistas mas também para usar o STF para perseguir seus críticos e adversários: os que denunciaram relações perigosas de dois ministros com o chefão Daniel Vorcaro e o Banco Master.

Dias Toffoli está atolado até o pescoço na lama de seu resort de 30 milhões comprado por Vorcaro através de fundos de seu cunhado e sócio Fabiano Zettel. Alexandre de Moraes bota a PF atrás de quem vazou os dados de um contrato milionário do escritório de sua mulher com Vorcaro. O problema não é o contrato, mas o vazamento. Quem vazou vai ser preso, quem fez o contrato está liberado.

Com seus altos e baixos, Xandão sempre terá o crédito de defensor da democracia, mas seus abusos de autoridade estão provocando danos a sua biografia, com a revelação de seus encontros com Vorcaro e seus negócios familiares.

Toffoli não precisa só de um bom advogado, mas de um ficcionista imaginativo, para contar a história do Resort Tayayá, um empreendimento milionário construído, diz ele, com honorários ganhos com seu escritório de advocacia antes de entrar para o serviço público, em 2003, na Casa Civil do governo Lula.

Sua carreira começou como assessor jurídico da CUT em 1993 e em seguida da liderança do PT na Câmara. Tentou ser juiz duas vezes e não passou. Na sua nomeação para o Supremo, avalizada por José Dirceu, a exigência constitucional de “notório saber jurídico” foi atropelada pela política para ter não um grande jurista, mas um ministro simpático ao PT e ao governo Lula.

Como ministro, se recusou a se dar por impedido de julgar uma ação do mensalão que tinha como réus José Dirceu e mais 37 petistas. E absolveu todo mundo sem dar satisfação a ninguém. Se considerava imparcial e acima de qualquer suspeita, mesmo que tivesse relação de amizade e proximidade com Dirceu, que o levou para a Casa Civil, a Advocacia Geral da União e ao Supremo.

Governistas e oposicionistas sabem disso. Temos o pior Congresso desde a Constituição de 1988. Pior, é sempre o próximo, conforme a máxima-maldição de Ulysses Guimarães. A diferença é que agora eles movimentam bilhões em verbas federais com suas emendas eleitoreiras, e muitas vezes fraudadas. Com chantagens e armações se apoderaram do Orçamento da União, avançando sobre o poder executivo.

Todo esforço, desde o primeiro dia, deve ser pela reeleição, ou um cargo no governo. E com todo esse dinheiro e mais um bilionário fundo eleitoral terão enorme vantagem nas eleições, e a tendência é se reeleger. E assim, a cada mandato, se eternizam no poder.

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*Nem a propósito, o autor é parceiro da celebrada canção Como uma onda, de Lulu Santos.

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