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A CONCRETUDE DA DIGNIDADE

19 de fev.
1 min de leitura

A dignidade é concreta. Ela envolveu o espírito a partir da cultura. Seu simbolismo é real.


Pode ter nascido de um exemplo do pai, da mãe, do irmão. Também pode ter sua origem no amigo, no indivíduo admirado, na mulher amada.


Ela não é natural, nem puramente moral; surgiu das relações humanas e está imbricada em todos valores construídos.


É maior do que todos os outros, pois não existe amor, honra, lealdade, raiva, vingança, sem dignidade. Ela impõe limites nas ações e resguarda a autoestima.


Não ter dignidade também é cultural. Toda manifestação infame é também indigna; todo sentimento pequeno se fez da indignidade.


Ser digno é ter na alma o perfume suave de uma flor de cerejeira; é ser terno como um soneto de amor de Neruda; é ser forte como um aroma de jasmim.


A dignidade está em cada gesto, em cada olhar do mundo e tem a força transformadora. É preciso ser digno para mudar.


Os indignos costumam morrer rastejando na lama, sem nunca achar a água límpida da dignidade.


É preciso ser digno para construir o amor e a felicidade. É preciso ser digno para amar o outro e o outro também tem que buscar a dignidade para amar o outro.


Somente o ser digno se indigna com a miséria e com a injustiça. Os indignos a constroem.


É com dignidade que sigo minha vida.


Lúcio Carril

Sociólogo

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