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A luta pela nossa humanidade

Refiro-me aos valores imprescindíveis para construção de uma sociedade fraterna, solidária e justa.

Não tem sido fácil a construção da nossa humanidade. Continuamos cedendo à barbárie e aquilo chamado de processo civilizatório vive sob as pancadas das guerras, do racismo, do preconceito, da destruição do meio ambiente e da violência generalizada.

Temos no mundo, hoje, entre 60 e 120 conflitos armados, segundo dados da ONU e organismos internacionais. 673 milhões de pessoas passam fome no planeta. Há genocídios de jovens e negros em muitos países, incluindo o Brasil, onde um jovem é assassinato a cada 20 minutos. O trabalho escravo ainda é uma realidade, mesmo que ilegal. O feminicídio e a violência contra a mulher continuam encontrando guarida em muitas sociedades.

Enfim, cadê nossa tão almejada humanidade? Cadê nossos valores humanos de amor, justiça e tolerância?

Tenho acompanhado aqui no Brasil as campanhas em defesa da vida, em particular aquelas que deram cores aos meses do ano. Tenho visto o empenho do movimento feminista e da sociedade civil organizada no combate ao feminicídio. Louvo as campanhas de educação no trânsito. Defendo as jurisprudências de condenação das mais variadas formas de preconceito aprovadas na suprema corte.

O problema é que tudo isso tem se mostrado inócuo diante do crescimento das várias formas de violência. Não se trata apenas de uma questão política. O que está em jogo é a civilização ou a barbárie. E o retorno à barbárie tem milhões de defensores distribuídos por todas as classes e segmentos sociais.

O que fazer, então, para defender os melhores valores do ser humano?

É preciso, de imediato, não permitir o retorno do monstro e fazer uma opção clara e corajosa pela nossa humanidade. Quatro anos de negação da cultura e dos valores humanos mostraram do que é capaz a extrema direita. É imprescindível dar continuidade ao projeto civilizatório que o Brasil vive, em respeito, inclusive, às novas gerações, aos nossos filhos, netos e bisnetos.

O processo de contestação da barbárie e de reafirmação da cultura passa inexoravelmente pela construção de um país que valorize jovens e crianças.

É na educação que vamos extirpar das relações sociais o feminicídio, o racismo, o preconceito e todas as mazelas que impedem o ser humano de construir sua humanidade. Isso será possível com a humanização do processo educativo, através das disciplinas responsáveis pela reflexão crítica do mundo e das relações entre as pessoas; da missão humana na construção do amor, do bem e da felicidade.

O investimento em educação não pode ter teto. Dele depende o futuro. Mas a educação precisa fazer do ser humano um ser do amor e não da guerra e da intolerância.

É necessário derrotar a barbárie mais uma vez e edificar uma sociedade onde a arte, em toda sua dimensão, e a ciência sejam partes intrínsecas de uma nova educação, humanizante e libertadora.

O próximo ciclo, após derrotar os arautos das trevas, deverá incentivar a abertura de bibliotecas, teatros, centros culturais e garantir tempo de lazer e dedicação do trabalhador à sua família e a si mesmo. Escolas deverão abrir no fim de semana para reunir a comunidade com cursos de formação, debates, atividades lúdicas.

Todas os meios humanizantes e de desenvolvimento humano devem ser incentivados.

A construção da nossa humanidade é inadiável, para não mais permitir que jardins sejam pisoteados pela violência e seres humanos vivam a rastejar na ignorância e na ignomínia.


Lúcio Carril

Sociólogo

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