17 de maio: Dia Mundial das Comunicações Sociais
- Professor Seráfico

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José Alcimar de Oliveira*
Comunicação implica informação. O que significa informar? Qual a raiz desse verbo? Informar, literalmente, significa dar forma. In-formar. O que dá forma à mente?
Sem informação não há formação. E informação não presidida pelo horizonte da formação é desinformação. Não forma, deforma. Como discernir (separar, peneirar, filtrar) entre informação e desinformação (ou informação-lixo). Vivemos na era da explosão do lixo, seja o material (sob forma de resíduo sólido), seja o cognitivo, ideológico (sob forma de resíduo digital). Com a descoberta dos microplásticos no atual mundo líquido (mundo já prenunciado por Marx e Engels em 1848), em que tudo que é sólido desmancha no ar, tornou-se movediça a fronteira entre resíduo sólido e resíduo digital. Não seria a consciência digital hoje, em seu irresistível processo de desencefalização, o indício de que os microplásticos já estão a comprometer a chamada noosfera? E a não menos irresistível e propalada Inteligência Artificial (IA) não é já um indicativo de que o ser humano entrou na era da terceirização cognitiva? Ao tempo da ignorância socrática (ou douta ignorância, segundo Nicolau de Cusa) adquirir consciência da própria ignorância era o início do caminho da sabedoria. Hoje, na era da cognição digital, a ignorância tornou-se arrogante e a estupidez desabrigou a sabedoria. Em meio às muitas facilidades do mercado há de tudo e ao alcance de todos, menos filtros cognitivos. Estes são exclusividade da filosofia socrática.
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*José Alcimar de Oliveira, professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas. 17 de maio de 2026.

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