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A era dos absurdos

Desatenta ou desonesta, a discussão em torno da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas traz viés nada menos que absurdo. Coloca em posições antagônicas relações que se contam por milhões de anos com outras, que ainda não chegaram a meio milênio. A pretensa disputa entre IBAMA e Petrobrás só interessa aos inimigos de ambas, que não são poucos, nem menos poderosos. Se é compreensível o esforço por produzir mais óleo bruto e dele oferecer os combustíveis necessários ao setor produtivo do Brasil, não é inoportuno compreender o complexo

problema ecológico que afeta toda a população. Não só da Amazônia ou do Brasil. Essa complexidade, tão bem e prematuramente destacada por Djalma Batista, não tem sido levada em conta nos debates. Se isso revela o desinteresse pela leitura de obras que contribuem para aumentar o conhecimento sobre a região, ou se esse conhecimento se tem dirigido a atender a interesses alheios à vida da população - é difícil afirmar. Sabe-se recente, porém, a grande ofensiva que tem a Amazônia como foco. Poucos chamam a atenção para o fato de que aqui, mesmo antes da chegada dos europeus, havia vida e atividade social e econômica. Não sujeita aos desafios que a realidade pós-grandes navegações determinou. Um fato, contudo, não se pode negar: durante todo um período que alguns acham imemorial (e por isso tentam apagar da História e impõem ignorá-lo), as populações sobreviviam e a natureza era menos agredida. O quanto bastava para a satisfação dos seres humanos que a habitavam. Não se pense que os nossos ancestrais fossem dispensados dos desafios daquela época. O que sabemos, no entanto, é de terem eles suprido satisfatoriamente suas necessidades. Tanto, que ao aqui aportarem, os do Velho Mundo encontraram o que eles mesmos assemelharam ao Paraíso na Terra. Pouco mais de cinco séculos, um átimo na vida do Planeta, o ser humano (?) volta as costas para o futuro, embora tente alterar os fatos de um ontem que ele contempla e teima em negar. Em grande medida, essa ignorância proposital, e essa preferência pelo que de pior o ser vivo dito inteligente pode trazer consigo - o egoísmo - respondem pelos absurdos em que se tem transformado o que muitos autores chamam a era das catástrofes, do paroxismo, das tragédias. Em alguns casos, sendo inspirados pelas falsas soluções, que no final das contas mostram-se ainda mais danosas do que os supostos problemas a resolver. Em síntese: o autoritarismo daí resultante acaba por desmentir a inteligência tão escandalosamente proclamada. Como conciliar os interesses das populações afetadas pela exploração petroleira e sua sobrevivência digna com a atividade exploradora é a questão. A incapacidade de resolver esse problema não pode levar a uma das novas formas de extermínio, como o propalam os exemplos vivos da falsa inteligência atribuída aos bípedes que falam. Mais do que pensam, se é que realmente pensam.





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