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A COP30 E A ESPERANÇA QUE VEM DA LUTA*

Enquanto escrevo estas linhas aqui do meio da floresta amazônica, a COP30 ainda não concluiu os acordos de Estado para salvar o planeta terra. Os burocratas, encarregados da missão, devem entrar pelo fim de semana, num esforço hercúleo para acertar o verbo que vai virar letra morta.

A COP ç30 é um embuste necessário para manter viva a responsabilidade da política nas decisões que podem salvar o planeta e as vidas que nele existem. Mas na ordem mundial predominante a desordem é que alimenta a crise climática. Não podemos esperar muito, ou quase nada, dessa balbúrdia chamada capitalismo.

Nem mesmo o tímido Acordo de Paris foi implementado.

Em fevereiro deste ano venceu o prazo para os países apresentarem as NDCs( Contribuições Nacionalmente Determinadas). 80% não entregaram as metas para redução de emissões para a próxima década.

O financiamento climático de 100 bilhões de dólares por ano para os países em desenvolvimento fazerem adaptação e mitigação não foram cumpridos pelos países ricos e maiores poluidores.

A transição de combustíveis fósseis também virou cinza. Países como o Brasil insistem na exploração predatória dessa fonte suja de energia. A descarbonização só existe no papel e no discurso.

Os fundos ambientais não são menos enganosos.

Tem fundo para tudo que é gosto. Tem Fundo Amazônia, tem Fundo Nacional para Repartição de Benefícios e agora o Brasil propôs mais um: Fundo Florestas Tropicais Para Sempre.

Até hoje, os dois primeiros fundos criaram um buraco sem fundo de cargos de confiança no ministério do meio ambiente e o fundo proposto por Lula é mais um agrado ao capital, para continuar tratando a floresta como um ativo financeiro, como denunciou em artigo o sociólogo e ativista ambiental Adilson Vieira.

E onde se meteu a esperança, esta senhora que alimenta nossos sonhos e utopias?

Ela esteve presente na Cúpula dos Povos na COP30 e reuniu 70 mil militantes de 60 países, representando povos originários e tradicionais, feministas, indígenas, população em situação de rua, povos de terreiro, quilombolas, lgbtqiapn+, extrativistas, sindicalistas, trabalhadores da cidade e do campo.

A Cúpula dos Povos ocorreu no período de 12 a 16 de novembro, em Belém, e apresentou um documento à COP30, em forma de declaração, e não contou conversa. Na sua primeira linha apontou a origem do problema: O modo de produção capitalista é a causa principal da crise climática crescente.

E saiu revelando os sujeitos da crise que põe em risco todas as vidas no planeta: as empresas transnacionais com a cumplicidade do Norte Global, a privatização, mercantilização e financeirização dos bens comuns e o fracasso do modelo de multilateralismo.

A esperança para o planeta está na luta social e não na política de Estado.

É na luta social que está o enfrentamento às causas da crise climática no mundo e as soluções sem a ganância do mercado financeiro, está o protagonismo dos povos e o respeito aos saberes ancestrais como forma harmônica de vida, está o combate ao racismo, ao machismo e a toda forma de opressão.

Não existe saída para o planeta que não seja pela superação das desigualdades sociais e a distribuição da riqueza produzida pelos trabalhadores. É aqui que a esperança se encontra.


*Lúcio Carril

Sociólogo

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