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Vida e dignidade

Acumulam-se informações sobre a chacina promovida pelo governo do Rio de Janeiro, no complexo de favelas Penha-Alemão. Sei, agora, que o adolescente morto, desde os 14 anos participava do Comando Vermelho. Sua aproximação com essa organização criminosa começou quando ele entregava alimentação, todo dia, a membros do CV, na favela. Quando seu pai soube dessa aproximação, tentou trazê-lo de volta à vida familiar, afastando-o do crime. Já era tarde. O garoto foi morto cerca de um mês depois que o pai dele o encaminhara a pastores - dizem as notícias -, para deles ouvir pregação capaz de recupera-lo para a convivência social, sadia e digna. A descoberta de que seu filho exibiu foto em que portava uma arma pesada, nas ruas da favela, foi o grito de alerta provocador da ação do pai do jovem agora morto. Impossível desconsiderar alguns aspectos ligados a esse - apenas mais um - drama com o qual convive a população das favelas, no Rio de Janeiro e em todos os demais estados. Comecemos pelo aspecto que parece inofensivo, como a tolerância de grande parte da população ou até o aplauso explícito o autoriza. O porte e uso de armas não foi estimulado e facilitado, senão por imagens expostas publicamente, não por favelados ou os interessados - ocultos ou escancarados - no lucrativo negócio das drogas. Outro aspecto tem a ver com os valores que justificam uma tal Teologia da Prosperidade. Segundo o discurso e as raivosas proclamações de lideranças orientadas por essa estranha percepção religiosa, ser pobre (de bens materiais, não mais) é pecado indigno de um fiel. A riqueza (material, nunca será demais repetir), então, reduz a vida humana à busca de acumular dinheiro e bens, seja lá como for. Não excluo outras hipóteses para explicar a tragédia do jovem assassinado. Apenas sugiro que esses dois aspectos sejam levados em conta, se desejamos de fato e sinceramente, combater o tráfico de drogas e impedir que mais jovens sejam atraídos a esse tipo de vida sem dignidade.

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