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Apóstolo das parcas

Gostaria de escrever que mais longe não se pode ir. Não é o caso, diante dos sinais de regresso à barbárie todo dia testemunhado. O lamentável ataque do Hamas, em resposta ao terrorismo de Estado praticado há 56 anos por sucessivos governos de Israel contra o povo palestino, e as reações por ele suscitadas impedem-me de fazê-lo. Não tem bastado o esquecimento ou a zombaria mantida sobre a segunda versão do holocausto, para apagar a enorme cumplicidade com os matadores de sempre. Ela se manifesta de várias formas, além daquelas que a ideologia da morte consagra. Ainda agora, no Senado Federal, um representante de Santa Catarina pede àquele órgão do Parlamento brasileiro o aplauso a uma mulher israelense chamada Inbar Lieberman. Quantas as pessoas que, com gesto fundado no amor à humanidade e à paz, ela salvou de serem mortas? Esse é número desconhecido, sendo 700 os moradores do lugar em que ela praticou sua precisa e mortífera ação. Esse é número conhecido, como o é o das pessoas que o grupo por ela armado e chamado a matar, matou - 20. Destes, 5 são creditados (?) à pontaria da comandante Inbar. O senador Jorge Seif, do PL-SC é o autor do pedido de aplauso. Vai ver, é membro da bancada da bala. Tudo nos conformes, diria Odorico Paraguaçu, modelo e inspiração de gente dessa estirpe.

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