Um pequeno – grande ?- equívoco
- Professor Seráfico

- 17 de mar. de 2025
- 2 min de leitura
Texto publicado no Estado de Minas (Estado e Empresários, uni-vos! - 14-03-2025), comenta sobretudo a conduta de certos governantes, cujo traço de união é a defesa intransigente do status quo. Bertha Maakaroun, a autora, dá exemplos concretos, quando compara as políticas empreendidas por Donald Trump, Javier Milei e o ex-Presidente brasileiro tornado inelegível. Refere-se, em especial, à taxafilia (amor à taxação de produtos) do atual inquilino da Casa Branca e às recentes manifestações contra as decisões do anarco-capitalista que desgoverna a Argentina e desnorteia outros colegas, mundo afora. Não deixa de abordar as recentes conquistas do capitalismo de Estado praticado na terra de Xi-JiPing. Compara os resultados das empresas de Elon Musk, o Richelieu ou Mazzarino de Trump, com os números ostentados pela BYD, uma empresa chinesa produtora de veículos automotores. Esse conjunto de indícios leva Bertha Maakaroun a dizer chegada a hora de um estado cuja preocupação nada tem a ver com a redução de seu tamanho e do alcance de suas políticas, e as ideias tão ao gosto das elites atrasadas, no Brasil e no Mundo. Usando – e reformulando – a conhecida exortação do Manifesto Comunista, quase duzentos anos após sua edição, a articulista vê oportuna a associação entre a entidade estatal e o empresariado. Seria esse o melhor caminho, pensa ela, quando a crise de 2008 teria mostrado a insuficiência do estado, ao responder à crescente demanda por serviços públicos, em quantidade e qualidade. É na utilização da proclamação comunista de 1848 e na substância da alteração proposta que a analista se equivoca. O brado proletários do Mundo, uni-vos, se não conseguiu fortalecer as diversas tentativas de tradução da proposta em realidade, frustrou-se porque o capital soube e pode ouvi-la mais que os pretensos destinatários da mensagem. A aproximação dos detentores do capital, os patrões, chegou em primeiro lugar e conduziu o Planeta ao estado em que se encontra. Cada dia mais dependente da prática da cadeia alimentar que alguns imaginaram impossível de reger a sociedade dos animais que se dizem mais inteligentes. Os dados que Bertha Maakaroun indica são reais; reais, também, são os países em que eles se registram. O que há de diferente neles é a visão de Mundo subjacente. Como essa visão é produto da observação e de quanto duram a percepção, a contemplação e a análise da realidade conduzem à cultura de valores diferentes. Vêm daí, portanto, os compromissos assumidos pelos governantes. Entre nós, a união entre estado e empresários se deu da forma como se a conhece. Não é outra a razão pela qual até a renúncia a pequena parte de sua colossal fortuna se torna impossível. Os que a detêm em níveis escandalosos e imorais não permitem operar qualquer alteração nos índices de desigualdade. Se a recusa à taxação dos que praticam a mais perversa acumulação é um fato, a qualidade e a natureza da representação parlamentar, em todos os níveis, respondem ao brado estado e empresários, uni-vos! O financiamento privado das eleições diz tudo.

Comentários