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Um dia e seus fatos

Sou avesso às datas comemorativas. As razões pelas quais elas são fixadas deveriam estar mais na memória e no coração das pessoas que as cultuam, se de fato sua rememoração tem algo a ver com os valores cultivados e quase sempre enobrecedores. Infelizmente, não é assim. Os que pretextam amor à Pátria e são capazes de cobrir seus corpos nem sempre limpos, a alma sempre suja, com as cores nacionais, são os mesmos que, levados pelo pior dos sentimentos, curvam-se diante de autoridades e personalidades que nada têm a ver com nossa História, nossos interesses e nosso futuro. Há, portanto, enorme distância entre o sentimento pretextado para fixar datas marcantes e o registro dos fatos nelas ocorridos. Há uma dessas datas, porém, que merece ficar para sempre na memória dos brasileiros, pelo menos naqueles que trazem dentro de si a convicção de que somos todos agentes de nossa História e, sendo assim, fazemos de nossa passagem pela Terra uma experiência de permanente solidariedade e compartilhamento. Solidários porque temos os demais como iguais; a partilha há de fazer-se, em especial, nas lutas e movimentos que buscam reduzir as desigualdades que têm marcado nossa História. Só assim seremos dignos de nós mesmos, se reivindicamos a condição de seres humanos; dignos de nossos contemporâneos e capazes de chegar ao conhecimento de nossos pósteros. Também enriquece a sociedade humana fazer chegar aos que vierem depois lições aprendidas a muito custo, mas determinantes de nossa caminhada altaneira em direção ao futuro por cuja construção somos responsáveis. Todos, sem nenhuma exceção. Daí justificar-se ser o 1º de abril, ano-pós-ano, merecedor de nossa mais profunda reflexão e, mais que isso, de nossa cada dia mais forte e renovada atenção. Faz 61 anos, esse foi o dia em que desabaram sobre nós as nuvens mais maléficas e sórdidas que um dia terão chovido em algum lugar do Mundo. Óbvio que não há a menor razão para comemorar tão trágica data. Há, porém, muito por que rememora-la. A memória, sabe-se, é uma forma de manter viva a alegria que ficou ou o sofrimento por que passamos. Felizmente, neste 1° de abril de 2025, o lamento pelo que ocorreu faz 6 décadas, vê-se encurralado pela esperança que surge, quando a versão 2023 dos mesmos infaustos acontecimentos passa a ter o tratamento devido a todos os que optam por viver marginais à Constituição e às leis. Mais ainda teremos que festejar, até que se encerre este auspicioso e promissor ano do calendário gregoriano.

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