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Sem rima qualquer

Ê zero a razoabilidade da reação do Presidente da Câmara dos Deputados, como resposta à tentativa do STF de devolver a transparência ao uso de recursos do orçamento federal. Já não se trata mais de decisão monocrática, atribuível ao suposto sentimento de vingança do Ministro Alexandre de Moraes. O plenário da mais alta corte de Justiça endossou a decisão e isso faz o que se chama no jargão jurídico coisa julgada. Quando Arthur Lira alega não haver qualquer razão ou justificativa para admitir e obedecer a manifestação do Supremo, ele confessa seu desprezo pelo Estado Democrático de Direito, do qual, fosse um bom cidadão e um democrata responsável, seria dos primeiros e mais vigorosos defensores. Encaminhar o assunto pelo tortuoso caminho da retaliação, mais que aprofundar a crise institucional significa agredir a Constituição e pôr mais uma vez em risco a claudicante democracia que muitos teimam em enfraquecer, mesmo à custa de cláusulas pétreas da Lei Maior. Ademais, o objetivo da falta de transparência no destino das verbas orçamentárias confere transparência aos reais propósitos de Lira e sua pra lá de lamentável turma. A harmonia entre os poderes não pode sucumbir diante de interesses e práticas avessos aos mandamentos constitucionais. Fazê-lo, implica tornar letra morta o artigo 3° da Constituição. Lá são fixados os limites em que atuarão os três poderes. É ali que se encontram as bases do que o Presidente da Câmara pretende traduzir em cambalacho, conluio e associação espúria. Harmonia e qualquer dessas inspirações e os procedimentos que lhes correspondem, definitivamente não rimam.

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