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Segurança e Federação

A reunião promovida pelo Presidente da República com os governadores para tratar da segurança pública enseja múltiplas e variadas interpretações. Os fatos e circunstâncias ligados ao pretendido pacto não podem ser analisados, se forem deixadas de fora variáveis fundamentais, além do contexto político em que a questão se insere. A recusa de governadores à participação na reunião é a que têm merecido maior atenção. Há outras, porém, que parecem esquecidas. Por esquecimento mesmo ou por conveniência. Dentre estas, a reação do governador de Goiás, sabidamente postulante do cargo de Lula. Enquanto Tarcísio de Freitas, seu presumível concorrente na disputa presidencial, foi simpático ao pacto e ameno na recepção da proposta de Lula, Ronaldo Caiado agradeceu a pamonha servida no Planalto com vigorosa oposição. Ou seja, aproveitou a primeira oportunidade para marcar território. Sua aparente preocupação com o que considera prejudicial às prerrogativas dos governos estaduais não há de contemplar apenas a intenção de estabelecer diferença com seu rival na direita. Precisando, como precisa, tornar-se conhecido nacionalmente, Caiado joga suas iscas no mar onde os peixes podem fazer-se caixas de ressonância de seus interesses - seus correspondentes políticos nas unidades da Federação. Ganhando a simpatia inicial deles, na linha de partida, a tendência do governador de Goiás é aos poucos defender teses que despertem brios federativos e dificultem a chegada ao pódio da pretensão do atual Presidente da República. O risco de, eventualmente feito sucessor de Lula, Ronaldo Caiado se curvar e pretender o mesmo que o antecessor, ainda não lhe é posto. Nem é factível que o Ministro da Justiça, ex-integrante do Supremo Tribunal Federal, ignore as restrições federativas, a que Medida Provisória nenhuma imponha obediência.

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