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REDES SOCIAIS E O FIM DO HUMANISMO

Tenho 5.000 amigos e amigas no feicebuque e outros tantos seguidores em outras redes. As relações são de respeito, já que fiz filtro político, ideológico e de conduta. Não aceitei e não aceito racista, misógino, preconceituoso, fundamentalista religioso, idiota em geral.

Tem gente que admiro muito por suas postagens e posições, encontrando forte identidade com que sou e com que penso. Mas há um problema: não passa disso e quase todos são contundentes em dizer que não querem avançar para uma amizade real, de carne e osso, olhos nos olhos e sorrisos no rosto.

Já reconheci amigos e amigas virtuais em bares, por exemplo, e eles me reconheceram, mas mantiveram, ou mantivemos, o bloqueio anunciado nas redes. É uma coisa muito estranha pela frieza e indiferença.

Vejo que há uma tendência para nos transformar em algoritmos. O capitalismo avança no sentido de nos tirar a humanidade. A globalização veio implacável para nos destruir como seres humanos. E tudo isso vem se refletindo nas estruturas políticas, colocando a democracia liberal num campo de incompatibilidade com os interesses do capital.

Estamos perdendo nossa subjetividade e nos fazendo um instrumento dos desejos, afetos e vontades impostos pelo consumo. Nossas relações estão cada vez mais coisificadas.

O filósofo camaronês Achille Mbembe tem tratado com maestria esse novo desfecho do capitalismo e alerta para o fim do humanismo. É um caminho destruidor, inclusive, do nosso inconsciente, que está passando a ser dominado pelas redes sociais através do eficaz uso dos algoritmos.

Por estas e muitas outras boas razões é que continuo correndo para abraçar meus amigos e amigas.

Resistência também se faz com amor, com abraço e beijos bem reais.


Lúcio Carril

Sociólogo

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