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A S Á G U A S F A L A M


Dedico ao meu pai, José Torquato, poeta

Orlando SAMPAIO SILVA*


Ouço o murmúrio da fonte que brota na floresta;

o gênio hercúleo das águas, meu pai, ao meu lado,

diz-me que as águas têm vida, que elas falam.

Nos mergulhos no igarapé,

vejo o borbulhar que emerge da água, em um sussurro,

que fala sobre o nascer do rio, sem revelar seus segredos.

Penetro na transparência absoluta das águas puras;

elas acariciam a minha pele, o meu corpo,

o meu coração, a minha mente

e me falam dos mistérios contidos no seu seio.

As águas, na mansidão originária, embora saibam,

não dizem qual será seu leito futuro,

que caminhos percorrerão,

por quais portos passarão,

que barcos nelas navegarão.

Elas sabem que irão saciar os que têm sede,

que irrigarão os campos coloridos de grãos e de flores,

que serão condutoras de vida.

_______________________________________________________________________________

*O poeta, também advogado, antropólogo, historiador, professor é tripulante desta nau.

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