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Quando o sonho é um pesadelo


Marcelo Seráfico


Quem busca "o sonho americano" não sabe nem mais sonhar. Há décadas os EUA são uma sociedade adoecida. Os relatos de brasileiros que vão pra lá com o objetivo de "fazer dinheiro" é angustiante. O sonho deles é, em geral, comprar algo que querem, mas que não conseguem com o que ganham no Brasil. O "sonho americano", antes associado a uma ilusão de liberdade e riqueza, não passa de um "sonho de consumo".

Hoje, retornam algemados, violentados em aviões de quase-escravos, extraditados.

É o reverso da diáspora africana. Entre os séculos XVI e XIX, os africanos eram aprisionados, acorrentados, violentados e trazidos para "fazer a América". Agora, os norte-americanos brancos acorrentam e embarcam centro e sul-americanos de todas as "raças" para devolvê-los ao que consideravam uma sociedade que não lhes oferece o suficiente.

Ontem, eram pessoas sequestradas de seu lugar. Hoje são pessoas sem lugar no mundo. Ontem eram pessoas negras sob o jugo de brancos endinheirados. Hoje são pessoas de todas as cores sob o jugo de brancos endinheirados, sendo expulsas de um lugar a outro sem encontrar um lar para si.

Ninguém foge do capitalismo. E os que tentam descobrem que nele a busca do "sonho" individual é a véspera do pesadelo.

Tudo isso é muito triste, indigno e revoltante. Mas muitos dos que não fogem de suas misérias para vivê-las em outros cantos, vivem exilados em si mesmos. O fracasso que sentem seu, é de todo um modo de organizar a vida.

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