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Prevenir ou repetir

Faltasse - e falta, muita - ainda alguma investigação sobre a trama golpista frustrada em 8 de janeiro de 2023, o apurado já garantiria a condenação de numerosos golpistas. A abundância de provas recolhidas pelos investigadores só não estabelece a igualdade das culpas até agora firmadas, porque parte dos terroristas fazia dos altos cargos ocupados instrumento de seus propósitos políticos e apetites os mais variados. Aos crimes relacionados à democracia e às instituições do Estado, muitos dos delinquentes acrescentam ilícitos que percorrem extensos capítulos dos direitos penal, administrativo, econômico e ambiental - para dizer o menos. A expectativa dos brasileiros é a de que muito mais do que já está devida e legalmente comprovado, ainda não chegou ao conhecimento público. Ninguém se surpreende mais, seja com as figuras envolvidas, seja com a variedade das práticas adotadas. Desde a falsificação de documentos, a apropriação de bens do patrimônio público e a organização para fins criminosos - tudo isso compõe um cenário contristador, não fosse, igualmente, trágico e ilícito. Não obstante, há os que, de alguma forma vinculados aos delitos sob apuração, protestam contra o devido processo legal em curso. Uns, porque protegidos por um mandato, tentam mostrar ignorância quanto aos limites da imunidade. Confundem-na propositalmente com a impunidade que os excluiria dos constrangimentos aplicáveis contra os delinquentes. Outros, incomodados com o combate ao golpe de Estado há tempos desejado, rebelam-se e revelam índole e formação incompatíveis com a democracia. Sobre tudo isso, mais que as peças produzidas pela Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário, informam os vídeos, fotografias e documentos cujas autoria e promoção têm igual origem. Se os torturadores e assassinos do período 1964-1985 não foram punidos, os golpistas de hoje poderão ter outro destino. A não ser que os brasileiros desejem o pior para seus filhos e netos. Prevenir é mais fácil e menos doloroso que repetir.

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