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Patchwork ministerial

19 de mar. de 2024
2 min de leitura

Caiu a ficha. Quando pensava vencida a possibilidade de interpretar a perda de prestígio de Lula, vem-me à cabeça a causa do fenômeno. Ou, pelo menos, uma das causas. Impossível, se a análise se contém na superfície, admitir que os avanços setoriais justificariam os números magros que as pesquisas atestam. Pensamos sempre que há algo de ilógico sustentando a apenas aparente divergência. É preciso, porém, aumentar o grau de curiosidade, dos cidadãos comuns e dos estudiosos. Só assim chegaremos a conclusões minimamente razoáveis. Em primeiro lugar, o cenário em que o atual governo opera talvez seja o mais hostil de todo o período republicano. O fato de não ter assegurado, na mesma eleição por ele vencida, do que podemos chamar conforto parlamentar, faz Lula depender de maioria inexistente. Tanto pelo número de parlamentares eleitos no arco de partidos que o apoiaram desde a campanha, quanto pelo custo de constituir uma base de apoio no Congresso. Esse custo, pago em postos de mando na alta administração federal, a partir do escalão ministerial, impede a coerência e a coesão indispensáveis à consumação de objetivos comuns. Agravam essa segunda condição a qualidade e os interesses da maioria dos deputados federais e senadores, de que o centrão é a imagem mais pronta e acabada. A dissonância entre as expectativas e os resultados da ação governamental, então, dependem não de uma orquestra que se conduz segundo uma pauta comum. Ficam eles, quase sempre, na dependência de objetivos às vezes contraditórios. Governar com um grupo unido e coeso em torno dos mesmos sonhos e das mesmas visões de Mundo é uma coisa. Orientar-se dentro de um cenário controverso, contraditório e hostil, seria o mesmo que buscar a peça compatível com uma toalha feita em cores, texturas, flexibilidade e cores diferentes. Assim é o Ministério de Lula - um patchwork político.

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