P O E T A C I E N T I S T A
- Professor Seráfico

- há 4 horas
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Orlando SAMPAIO SILVA*
Eu não posso ser poeta
porque penso como cientista!
Mas...
...e se eu for cientista porque sou poeta?
Sou poeta-cientista? Este conluio é possível?
O que sinto, no entanto, é que
ser cientista não impede que eu goze as delícias da vida,
nem que eu ame pessoas e a natureza
e tudo mais que pode ser amado;
ao longo da vida, não impediu que eu amasse mulheres
que me amaram-amam ou não...
Sinto que sou cientista-poeta,
pois amo a verdade
ainda que ela esteja em uma poesia inatingível!...
Sou cientista
porque quero acariciar a verdade científica.
Continuo sendo cientista
quando sou acarinhado
e quando quero e abraço a mulher que amo,
senti-la na realidade objetiva,
praticando uma poesia amorosa
na vida concreta.
O concreto, o real, o empírico,
a verdade científica
são também eventos poéticos,
porque o amor, o prazer, o gozo,
sentires humanos,
são realidades físicas e sentimentais,
que sentimos em nossos corpos, em nossas mentes,
nas nossas emoções,
são verdades poéticas e, também, para a ciência.
O cientista se emociona
na contemplação da beleza da natureza,
ele tem mulher e filhos;
ele ama.
O cientista se emociona ante o romantismo
do lirismo idílico e do bucólico,
se exalta em face de poesia satírica
da poesia erótica
e do concretismo poético.
O cientista também sente, pensa e se empolga
ante a transcendência.
Sentir poeticamente
é um dom que pode tocar
qualquer ser humano,
seja ele ou não cientista,
elabore ele ou não poesias.
Superei a minha dúvida:
Sou um poeta-cientista,
ou sou um cientista-poeta.
A verdade,
tangível ou intangível - não importa -,
eu a sinto em sua concretude na minha poesia.
O compromisso do cientista
é com a verdade, o concreto,
o real, a objetividade,
e o do poeta é com o mítico,
com o mistério,
com o místico,
com o drama e a tragédia na sociedade dos humanos,
com os eventos épicos da vida;
é com os sentimentos e as emoções,
com o abstrato, com o imaterial,
com a subjetividade,
com a transcendência;
mas também é com os carinhos, com as carícias,
com os afetos, com as emoções,
com o inefável, com o sublime,
com o mito,
com o amor.
Estes sentires são vivências poéticas puras,
que se podem instalar na solidão,
mas, também, no convívio amoroso
do ser humano,
no misticismo, no êxtase
e na totalidade do poeta.
Não, não há incompatibilidade
entre a concretude científica
e a transcendência poética.
O cientista é racional
e o poeta, também.
Não o fosse e ele não produziria poemas.
Não há incompatibilidade entre a racionalidade
e o poetar.
Faz-se poesia com o cérebro, com a imaginação
e com os sentimentos e as emoções.
Poesia é arte.
Arte e ciência podem ser complementares entre si.
A relatividade, a infinitude,
o espaço-tempo,
as origens e a eternidade,
a indução e a dedução,
a razão
são temas que empolgam poetas e cientistas.
Poeta, posso ser cientista,
pois vivo intensamente
no meu corpo, na minha mente, no meu coração,
no meu sistema límbico,
nas minhas emoções,
sensações e estados da alma.
O amor é idílico e paira
no mais abismal dos sentimentos humanos;
ele se traduz em gestos, em ações
que entrelaçam os amantes
em atos que unificam,
em um só ser,
dois seres que se amam,
um homem e uma mulher,
ligados em uma fusão física e sentimental.
Os seres humanos amam
e estão unidos entre si
seus corpos, em suas mentes,
em suas emoções
em seus sentimentos,
no mistério e no absoluto da existência.
São Paulo, 18/4/2026 - 03/5/2026
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*O poeta e cientista autor deste poema é frequentador assíduo deste espaço.

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