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P O E T A C I E N T I S T A


Orlando SAMPAIO SILVA*

Eu não posso ser poeta

porque penso como cientista!

Mas...

...e se eu for cientista porque sou poeta?

Sou poeta-cientista? Este conluio é possível?

O que sinto, no entanto, é que

ser cientista não impede que eu goze as delícias da vida,

nem que eu ame pessoas e a natureza

e tudo mais que pode ser amado;

ao longo da vida, não impediu que eu amasse mulheres

que me amaram-amam ou não...

Sinto que sou cientista-poeta,

pois amo a verdade

ainda que ela esteja em uma poesia inatingível!...

Sou cientista

porque quero acariciar a verdade científica.

Continuo sendo cientista

quando sou acarinhado

e quando quero e abraço a mulher que amo,

senti-la na realidade objetiva,

praticando uma poesia amorosa

na vida concreta.

O concreto, o real, o empírico,

a verdade científica

são também eventos poéticos,

porque o amor, o prazer, o gozo,

sentires humanos,

são realidades físicas e sentimentais,

que sentimos em nossos corpos, em nossas mentes,

nas nossas emoções,

são verdades poéticas e, também, para a ciência.

O cientista se emociona

na contemplação da beleza da natureza,

ele tem mulher e filhos;

ele ama.

O cientista se emociona ante o romantismo

do lirismo idílico e do bucólico,

se exalta em face de poesia satírica

da poesia erótica

e do concretismo poético.

O cientista também sente, pensa e se empolga

ante a transcendência.

Sentir poeticamente

é um dom que pode tocar

qualquer ser humano,

seja ele ou não cientista,

elabore ele ou não poesias.


Superei a minha dúvida:

Sou um poeta-cientista,

ou sou um cientista-poeta.

A verdade,

tangível ou intangível - não importa -,

eu a sinto em sua concretude na minha poesia.


O compromisso do cientista

é com a verdade, o concreto,

o real, a objetividade,

e o do poeta é com o mítico,

com o mistério,

com o místico,

com o drama e a tragédia na sociedade dos humanos,

com os eventos épicos da vida;

é com os sentimentos e as emoções,

com o abstrato, com o imaterial,

com a subjetividade,

com a transcendência;

mas também é com os carinhos, com as carícias,

com os afetos, com as emoções,

com o inefável, com o sublime,

com o mito,

com o amor.

Estes sentires são vivências poéticas puras,

que se podem instalar na solidão,

mas, também, no convívio amoroso

do ser humano,

no misticismo, no êxtase

e na totalidade do poeta.

Não, não há incompatibilidade

entre a concretude científica

e a transcendência poética.

O cientista é racional

e o poeta, também.

Não o fosse e ele não produziria poemas.

Não há incompatibilidade entre a racionalidade

e o poetar.

Faz-se poesia com o cérebro, com a imaginação

e com os sentimentos e as emoções.

Poesia é arte.

Arte e ciência podem ser complementares entre si.

A relatividade, a infinitude,

o espaço-tempo,

as origens e a eternidade,

a indução e a dedução,

a razão

são temas que empolgam poetas e cientistas.

Poeta, posso ser cientista,

pois vivo intensamente

no meu corpo, na minha mente, no meu coração,

no meu sistema límbico,

nas minhas emoções,

sensações e estados da alma.

O amor é idílico e paira

no mais abismal dos sentimentos humanos;

ele se traduz em gestos, em ações

que entrelaçam os amantes

em atos que unificam,

em um só ser,

dois seres que se amam,

um homem e uma mulher,

ligados em uma fusão física e sentimental.

Os seres humanos amam

e estão unidos entre si

seus corpos, em suas mentes,

em suas emoções

em seus sentimentos,

no mistério e no absoluto da existência.


São Paulo, 18/4/2026 - 03/5/2026

_________________________________________________________________________

*O poeta e cientista autor deste poema é frequentador assíduo deste espaço.

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