O que está por trás do preconceito contra o bolsa-familia?
- Professor Seráfico

- há 1 hora
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Você certamente já ouviu falar em aporofobia.
Trata-se de um neologismo criado pela filósofa espanhola Adela Cortina e significa aversão ou rejeição aos pobres.
Na Espanha, aporofobia é considerado crime de ódio.
No Brasil, é um instrumento de poder usado pela elite prepotente - aquela sem o menor refinamento de conduta e acostumada a usar dinheiro público para aumentar sua riqueza. Em português direto, é gente rica de grana e pobre de espírito.
A hostilidade ao estrato social em situação de vulnerabilidade é herança do período pós-escravidão, quando milhares de famílias negras foram jogadas fora da terra e espremidas em áreas urbanas, criando bolsões de excluídos e miseráveis.
A elite branca da Casa Grande continuou em seu feudo, sem o trabalho escravo e tendo que pagar com comida e reles trocados serviços para manter sua vida de privilégios.
O Estado brasileiro cumpriu sua função de proteger os latifúndios dos escravocratas, adquiridos pela pilhagem de terras públicas. Os escravizados passaram a ser trabalhadores livres, mas o Estado os via também com aversão. O Estado era aporófobo.
Os herdeiros dessa elite escravocrata estão concentrados hoje nos centros econômicos do país, tipo Faria Lima (toda semana a polícia federal está lá, prendendo criminosos). A terra não é mais o bem do poder político e econômico. Agora vivem da especulação financeira, da exploração da força de trabalho do trabalhador, do agronegócio, mas continuam sendo beneficiados pelo Estado, através de créditos subsidiados e isenções fiscais.
É essa corja despudorada que ataca o Programa Bolsa Família e seus beneficiários.
A Receita Federal aponta que entre incentivos e renúncias fiscais, as grandes corporações de negócio são beneficiadas em cerca de 900 bilhões de reais por ano. Isso é cinco vezes o que se gasta com Bolsa-família. A diferença é que os 900 bilhões atendem meia-dúzia de milionários do agronegócio e donos de grandes empresas e os 158 bilhões gastos com o Programa Bolsa-família atendem 20 milhões de famílias.
Essa corja que forma a elite nojenta da economia brasileira deveria se envergonhar de atacar gente que vive em situação de extrema pobreza. Eles, os que recebem benefícios de 900 bilhões de reais, são os responsáveis pelo Brasil ter uma das maiores desigualdades sociais do mundo.
E são mentirosos.
É mentira que o bolsa-família tire o sonho de uma vida melhor de quem recebe o benefício.
Em 2024, 75% das novas vagas de emprego com carteira assinada foram ocupadas por beneficiários do programa.
No primeiro bimestre deste ano, foram 56,1%.
E sabem por que essas vagas de emprego são preenchidas por quem recebe o bolsa-família?
Porque a busca por dignidade humana é intransferível e inadiável. O bolsa-família existe para dar o minino de condições de vida à família que não tem nada. Mas essa família continuará buscando emprego, casa própria, lazer, saúde e melhor educação para seus filhos.
O preconceito e a hostilidade da elite rica com o uso de dinheiro público contra o povo que vive em dificuldade financeira e vulnerabilidade social é um escárnio contra a humanidade. Em vez de manifestar ódio, deveria investir um pouco em ações sociais.
O problema dessa gente mesquinha é que eles têm muito, querem mais e não querem que ninguém tenha nada. São desumanos, covardes e gananciosos aos extremo.
Cuidado. Um dia a casa cai.
Lúcio Carril
Sociólogo

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