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Ora, quem diria!?

É do jornalista Carlos Alberto Sardenberg que vem a crítica. Logo ele, ferrenho defensor da economia de mercado! É isso que o faz, em geral, encontrar defeito ou vício em toda reflexão ou decisão que de algum modo possa gerar antipatia em relação à forma como é feita a distribuição de renda e privilégios no País! Seu comentário (Uma sanção absurda) na edição d' O Globo de ontem, trata da aplicação da Lei Magnitsky contra o Ministro Alexandre de Moraes. Melhor que muitos que pretextam transitar com facilidade pelo ambiente jurídico, o jornalista dá verdadeira aula sobre o assunto e deixa mais clara a agressão à soberania do Brasil, sob pretexto absolutamente avesso à finalidade da norma legal. Quando o deputado Jim McGovern propôs e o ex-Presidente Barack Obama sancionou a Lei, inspirava-os o combate a diversas formas de crime vinculados, sobretudo, ao processo de acumulação gerador do enriquecimento de escassa minoria, às custas da desigualdade econômica e social registrada nos países em que o dinheiro é o deus e os Estados representam o que Karl Marx considerava o comitê gestor do capital. O papel do Estado e, por consequência, dos que o governam constitui o cerne da questão. Se isso não está suficientemente explícito no artigo assinado por Sardenberg, é justo, legítimo e oportuno mencionar que estabelecer a vinculação entre a decisão de Trump e esse papel assumido pelo governo seria chegar longe demais. Quem sabe, até, vê-lo ultrapassar as fronteiras do conservadorismo e alinhar-se com os que combatem a desigualdade e veem nela um traço essencial imposto pelos acumuladores, sob o cognome de mercado. O destaque dado pelo comentarista recai sobre os limites territoriais de vigência das legislações nacionais e as restrições a que o mesmo diploma legal está sujeito, considerando as próprias relações internacionais. Também mostra, ainda que implicitamente, a necessidade de serem enfrentados os dilemas que a globalização produz, em especial quando se reconhece terem as novas tecnologias de comunicação rompido as fronteiras entre países e nações. Os conceitos de soberania nacional e de pátria foram abalados, desde que Marshall Mac-Luhan mostrou vivermos numa aldeia global. Recentemente, a percepção da crise climática clareou ainda mais a realidade em escala planetária, tornando urgente e obrigatória a percepção da Terra como a casa comum às bilhões de criaturas que a habitam. Difícil é para alguns indivíduos seduzidos pela conquista de outros territórios admitir essa realidade. Em especial, quando produzidos em caldo de cultura onde prevalecem valores apegados à acumulação de bens materiais, de que a chamada vil moeda detém todo o poder. Se McGovern, seus colegas de parlamento e Obama estavam imbuídos dos melhores propósitos, Donald Trump deles se distancia por afastamento medido em anos-luz ou bilhões de quilômetros. Do ponto de vista intelectual e consciencial, qualquer comparação seria um despropósito. A ideologia de Sardenberg, até aqui, esteve sempre mais próxima de Trump e seus seguidores. Por isso, chega a surpreender o conteúdo de seu texto. Ao contrário, acima de louva-lo, devemos recebe-lo como um sinal - o de que o império está realmente no caminho do desfazimento. Um bom sinal, portanto!

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