Obra e produtor
- Professor Seráfico

- 18 de jul.
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Criança em Belém do Pará, sempre ouvi de meus avôs a palavra obra. Não, no sentido artístico. O verbo obrar, para os daquele tempo, era sinônimo de defecar. A primeira vez em que li ou ouvi dizer da premiação por mérito adquirido no trabalho artístico, não por um quadro pintado, uma composição musical interessante, mas pelas peças produzidas por um pintor, músico ou outro virtuose, entendi que o prêmio se justificava pelo conjunto da obra. Eis que, mais algumas décadas vividas, vejo a atualidade da expressão, enriquecida agora com sua aplicabilidade a situação antes sequer cogitada. A tornozeleira eletrônica ora ostentada pelo ex-Presidente da República, ainda que não represente o ponto mais alto do pódio invertido, deixa mais clara o vínculo entre as ações do réu de crimes variados e o significado do verbo usado pelos meus ancestrais. Chegará o dia, e não está tão longe, em que o lugar adequado receberá o eficiente e dedicado produtor de obras. Pensou que o Brasil não passa de uma imensa latrina - e se deu mal.

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