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O tamanho de Hugo Motta

Devemos estar atentos. Sobretudo, quando a mentira se espalha com velocidade avassaladora e desafia até o mais arguto dos observadores. A concessão de anistia ampla, geral e irrestrita, como os originalíssimos oposicionistas desejam, anima-os a insistir. O projeto por eles patrocinado e defendido cabe como uma luva na defesa do m(s)inistro Luiz Fux, no Supremo Tribunal Federal. Tal casamento [proposta de anistia/(des)arrazoada peça de defesa] constitui a base do pretexto apresentado pelo senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), para livrar o ex-Presidente da pena que lhe foi fixada. Segundo o parlamentar roraimense, as penas não podem ser atribuídas coletivamente aos réus. É como se ele não visse diferença na quantidade de anos expressiva do período que cada um dos participantes da organização criminosa reconhecida pelo STF deverá cumprir como pena. O pretexto esconde, portanto, o fato de que a corte mais alta do Poder Judiciário brasileiro apreciou o processo em que um grupo de pessoas se vinculou a um objetivo criminoso comum – a derrubada do Estado Democrático de Direito, a consecução de um golpe de Estado, sem contar a ideia de assassinar três agentes públicos. Disso trata o plano chamado de Punhal Verde-amarelo, cuja denominação, por si mesma, constitui um desrespeito da mais vil inspiração, às cores que os patriotas submissos a um governo estrangeiro poderiam imaginar. Ora, as provas – nunca será demasiado lembrar de sua abundância e produção pelos próprios meliantes – deixam clara a existência de vínculos entre esses agentes dos crimes e a coordenação e liderança a eles sobreposta. O que bastaria para tornar inválidos os supostos argumentos do senador por Roraima e os que participam de sua anti-Cruzada.  Resta a pressão dos opositores ao Presidente da Câmara, Hugo Motta. O tamanho (moral e político, bem-entendido) desse parlamentar está às vésperas de ser definitivamente conhecido. Ou ele se renderá à evidência dos fatos, à observação dos mandamentos constitucionais e do interesse coletivo, ou ele completará a desmoralização que seus colegas tentaram impor-lhe, quando invadiram o Plenário da Câmara e transformaram sua chegada à cadeira que lhe cabe em uma réplica quase completa da experiência de Sísifo. Enfim, vivemos a época dos mitos.

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