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O golpe do bisturi

Quando ainda há, pouco que seja, amor ao próximo, também haverá onde a rotina surpreende. Vivemos em meio a um clima de violência raramente alcançado. Menos, ainda, como resultado da ação deliberada da parte mais alta na pirâmide social de um estado moderno. Nessa classe, incluídas autoridades constituídas segundo o escrutínio popular, aqueles que delas fazem uso, em processo de promoção, produção e manutenção de desigualdade ímpar. Na pior das hipóteses e a dar crédito à oposição fanatizada, estaríamos dentre as 10 maiores economias do Mundo. Somos a 7ª, a caminho da 6ª posição, no entendimento dos apoiadores do governo, fanáticos também alguns deles. Em todo caso, à classificação no ranque da distribuição da riqueza não nos move para cima, quando se trata dos benefícios que isso traz à maioria da população. Os governantes atuais - cuja gestão tem apenas 2 anos de iniciada - se viram forçados a recuperar posições e resgatar dívidas sociais cuja superação se tinha iniciado antes, porque o recuo dos anos 2019-2022 assim o exigiu. Os números de nossa economia frustram as desonestas previsões dos opositores, sendo que muitos desses mandam nos mandatários eleitos em 2022 para as casas legislativas - do Senado às milhares de Câmaras Municipais. Digam-no o repúdio manifesto do Parlamento à taxação das grandes fortunas, ao mesmo tempo em que repudia a isenção do imposto sobre a renda de quem não a tem. Quem vive de salário ou de biscates sequer tem o que um bom economista chamaria renda. Não bastam as mágicas que levam o biscateiro à condição de empregado. É preciso fazer mais mal. Ignoram-se, propositalmente, os números tão avidamente buscados, quando se trata de encontrar consenso sobre como destinar aos privilegiados de sempre o resultado da faina próxima da escravidão a que se submete crescente número de trabalhadores. É a desigualdade como propósito e política de governo, com os resultados a que isso tem levado. No fundo dessas maldades, a proclamação de amor a um deus patrocinador da miséria, da morte da indignidade do ser humano. Ainda agora, o Presidente da República que os financiaores, articuladores, executores e apoiadores do golpe de estado frustrado desejavam assassinar, passou por uma cirurgia. Às redes sociais apresentou-se a oportunidade de reiterar o propósito maligno, talvez algumas até orando nos templos onde reverenciam a morte. Logo o sentimento que anima essas porções fanatizadas apressou-se em augurar a pior das consequências da cirurgia: a morte tão desejada de Lula. Não faltou quem o dissesse com toda clareza possível, menos ainda quem se dispusesse a divulgar a notícia falsa. Que seja baixa a auto-estima desse tipo de delinquente, ninguém tem nada com isso. É, como se tem dito, coisa de foro íntimo. Certamente, o reconhecimento justo de quem conhece seu próprio tamanho - como gente, se dizer assim não traz em si enorme injustiça. Por desmerecimento. A indesejada das gentes, nesse caso, alcançaria por causa natural o que as armas acionadas pelos sicários a serviço dos covardes deixou acontecer. Menos pela sua vontade, que pelas energias que ainda se põem a serviço do bem.

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