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O fim da história chegou?

Marcelo Seráfico*


Estamos num momento dificílimo, decisivo, para a humanidade.

Em outros tempos havia, ou tínhamos a ilusão de haver, alternativas à ordem. Hoje, a sensação é a de que ou essa ordem é aprofundada ou a humanidade destruída.

Ocorre que a destruição, a catástrofe, o abismo, é o produto dessa ordem.

Eu lembro da passagem do Manifesto em que Marx e Engels advertem, premonitoriamente: se não fossem superadas, as relações de produção capitalistas nos levariam à autodestruição.

Há anos a teoria do materialismo histórico-dialético foi abandonada como base para a interpretação da realidade. Ela, que nunca foi dominante, tornou-se marginal e as novas gerações de pensadores vêm sendo formadas num ambiente "liberal-dogmático", no qual, paradoxalmente, a crítica precisa estar contida nas fronteiras de seu objeto. Ideias como as de reforma e revolução são usadas, desde que uma e outra estejam a serviço da reprodução do sistema que, sem ela, se revela insustentável.

Partidos políticos, universidades e mesmo movimentos sociais "aderiram" à tese e, ao invés se refletirmos e lutarmos pela superação do capitalismo, engajamo-nos em lutas limitadas à mudança das políticas públicas ou ao embuste do "empreendedorismo".

Os que ainda falam de socialismo e comunismo são marginalizados ou tornados "terroristas" ou, nas universidades, vistos como anacrônicos.

A vitória ideológica do neoliberalismo foi aterradora!!!

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*Marcelo Seráfico é sociólogo, professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e comentarista da Rádio BandNews/Difusora.

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