Nossa tragédia
- Professor Seráfico

- há 16 horas
- 2 min de leitura
À medida em que as eleições se tornam mais próximas, mais se complica a candidatura do herdeiro do espólio do preso em regime domiciliar. O benefício que lhe foi concedido a título humanitário já quase não serve para nada, além de mostrar sua fragilidade de caráter, talvez maior que a discutível robustez do seu aparato físico. Vão mais uma vez ficando para trás as quezílias que envolvem seus familiares, tanto quanto cresce a multidão dos que percebem a falsidade estampada no rosto de seu presunçoso herdeiro. Lideranças partidárias que ontem faziam questão de lamber-lhe as botas e as ferraduras dão sinais de deserção. As tratativas que resultaram na aplicação do tarifaço de Trump são obra dos seus porta-vozes, a partir dos círculos domésticos, forçados a desmentir o que foi apresentado como documento avalizador da fracassada candidatura. As crises de soluço entram, mais uma vez, na pauta das discussões. Pensar que uma personalidade assim, tão desprovida de brios, coragem e hombridade chegou um dia a sentar-se no principal assento da República parece coisa de conto de fadas. Nos protagonistas, identificam-se algumas das figuras celebradas em outras peças de ficção, faz séculos. Há desde a madrasta má, quanto os vilões que contra elas se lançam, em tarefa tão inglória quanto destituída de algum valor positivo. Já se insinua que a candidatura não chegará incólume ao mês de outubro. O abandono de algumas siglas partidárias, cujas bancadas se constituíram graças às mentiras capazes de amealhar votos, não pode agradar aos aproveitadores de sempre, aqueles que, denunciados pelos atos ilícitos que se lhes imputam, não veem como defender-se. Por isso, tratam de assemelhar os adversários a eles mesmos, como a repetir o bordão de Chico Anísio, que fez tantos brasileiros rirem, durante anos: “sou, mas quem não é?”. Uma espécie de confissão que qualquer magistrado, em qualquer das varas e instâncias judiciais espalhadas pelo País tem a obrigação de tirar a limpo. É o momento, portanto, de o Ministério Público aumentar a atenção para esses fenômenos, quem sabe o primeiro passo para colocar os delinquentes onde eles cabem, por absoluta justiça – a prisão. Tudo, como ocorre na democracia que merece tal qualificativo: após transcorrido o devido processo legal.

Comentários