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Meloni pode melar os planos de Zambelli

A tentativa de pôr o crime comum ao abrigo da imunidade parlamentar, como o pretendem Carla Zambelli e animais da mesma surreal espécie, não pode vingar. Mesmo que sejam numerosos e escandalosos os precedentes, no Brasil com certeza, e em sei lá quantos outros países, a prática deve ser rejeitada. Em especial, quando a delinquência original vem acompanhada de sucessivo agravamento. Como o que consiste em fuga à ação das autoridades policiais e nacionais e criação de constrangimentos a autoridades de outros países. Se Carla Zambelli é cidadã de duas nações, não bastaria - ou não deveria bastar - isso, para isenta-la da responsabilidade penal, aqui e no outro país. A não ser que a violação da ordem política definida nas respectivas constituições e ofensas à Lei Penal fossem diferentes. Em ambos os casos, não se trata, nem de longe, de restrição imposta pelo Poder Judiciário à liberdade de expressão. Essa, sim, objeto e substância da imunidade parlamentar. Se transformado em válvula de escape das intenções delinquentes, o instituto protetor da opinião do parlamentar terá sido desviado, servindo para acobertar crimes comuns. Impossível imaginar, na Itália como em qualquer outro país que se pretenda civilizado, impuníveis crimes contra a integridade de documentos oficiais e de pessoas. Delitos de ambas as categorias atribuídos à ainda deputada, além de sua participação nos processos e atos terroristas que em 8 de janeiro de 2023 chegaram ao clímax. Giorgia Meloni, por mais direitista que seja, não pode ignorar esses aspectos, pelas responsabilidades de que está investida. Première da Itália, é lícito imaginar que seus interesses, sejam quais forem, têm mais a ver com aquela nação europeia, que com as bravatas, o egoísmo e a presunção de impunidade da fugitiva.

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