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Mandantes e delegados

Unem-se os que consideram a tortura prática digna e os que os seguem, aplaudem e imitam, para condenar o que chamam de apelo à polarização entre ricos e pobres. As relações destes, em uma sociedade de classes que registra índices de selvageria inaceitável, agradam aos torturadores e demais delinquentes a eles acumpliciados. Manter a opressão que vitima, cada dia mais, os membros das classes inferiores é um objetivo, cabendo aos oprimidos nada mais que aceitar passivamente o funcionamento de tribunais assemelhados àqueles típicos das organizações criminosas. Em todas, a certeza construída e cultivada pelos capi, de que jamais serão incomodados pelo poder legítimo, tão próximos a eles se situam. Muitas vezes, detendo parcela do poder oficial, seja pela conquista de um mandato popular, seja por outro tipo de compromisso com os detentores do poder. Há, sempre, a previsão de que nada afetará sua vida, sua aceitação social, sua fortuna e sua própria segurança. E continuarão a apresentar-se como pessoas de bem, enquanto prosseguem a praticar toda sorte de crimes, nas quais se têm acrescentado, em nível ascendente, os que roubam a vida de terceiros. O recente episódio ocorrido no Estado do Paraná, em que um jovem foi morto por empregados de um supermercado pelo furto de uma barra de chocolate, não demora será esquecido. Outros crimes, de brutalidade ainda maior, ocuparão seu lugar no noticiário. Sem que se saiba, sequer, o CPF dos felizes e prósperos proprietários do estabelecimento. Muitos dirão tratar-se da pejotização dessa espécie de crime. Pagarão por ele, como sempre, os empregados de nível mais baixo, como se fossem eles os responsáveis pelas decisões que fazem dos empregados sicários a serviço de interesses que, sem serem os seus, vinculam-se exclusivamente à multiplicação das fortunas a que emprestam sua força de trabalho. Quem sabe pode ser aplicada a esse tipo de administração de negócios que transfere o poder de vida e de morte de certo tipo de empresários aos seus subordinados, o chamado domínio do fato? Qual o parlamentar que o proporia, como forma de reduzir o desequilíbrio entre o capital e o trabalho, vergonhosamente negado pelos construtores e defensores da desigualdade. Ponham-se no banco dos réus os beneficiários por tamanha selvageria, além dos seus delegados!

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