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Mais uma - e nada mais

À primeira vista - o que se sabe de imediato - é ter sido suspensa a sabatina do ainda titular da Advocacia Geral da União - AGU, que David Alcolumbre agendara para a próxima semana. Também à primeira vista, mesmo publicada no Diário Oficial a indicação desse outro Messias, o Presidente da República não encaminhou o ofício de praxe (ou obrigatório por Lei?) à Casa do Parlamento presidida pelo representante do Amapá. Antes, o senador havia manifestado sua insatisfação, alegando não ter sido ouvido ou informado anteriormente da escolha de Lula. Ao que se presume - e, já não mais à primeira vista -, David Alcolumbre se sentiu ofendido, desprestigiado por quem não tinha qualquer dever, de qualquer natureza, de consultar quem quer que seja, antes de indicar o novo membro do Supremo Tribunal Federal. Em linguagem atualizada e presente em todo diálogo entre jovens, Alcolumbre "se acha". Óbvio, para quem acompanha as coisas, os fatos e os absurdos da política (o p minúsculo é proposital), que não se trata de algo minimamente surpreendente. Faz tempo, o Poder Legislativo vem sofrendo de uma carência mais que Política. Incapaz de perceber-se como mandatária da vontade popular, a maioria do Congresso usa das prerrogativas constitucionais para extorquir (não há verbo melhor) dos demais poderes vantagens, privilégios e proteção inexistentes em qualquer dispositivo a que se ligue o exercício dos poderes que a mesma Constituição lhes atribui. O que antes se chamava baixo clero, hoje atende pela alcunha centrão, integrada em sua maioria por bancadas organizadas por outras denominações, como as da bala, da Bíblia e do boi. Daí vêm as emendas secretas, o projeto de lei da Bandidagem, eufemicamente chamada Blindagem etc. A inconformidade de Alcolumbre, portanto, é apenas mais uma de tantas outras manifestações da chantagem cotidiana a que se entrega a maioria das excelências que ele preside.

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