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Lixa e lixo

Qual o papel dos conselhos federais que fiscalizam as atividades dos profissionais a eles vinculados? No caso dos Conselhos Federal e Estaduais de Medicina (CFM e CRMs), estão fora de seu controle as instalações em que o exercício da respectiva profissão é executado? Trocando em miúdos: hospitais e outros estabelecimentos em que os médicos, paramédicos e técnicos das diversas especialidades exercem sua profissão estão imunes à fiscalização da autarquia competente? Unidades onde se prestam os serviços de prevenção, tratamento e cura dos pacientes, por serem privadas, estão acima das leis? Podem fazer o que der na telha de seus proprietários, à revelia das determinações, recomendações e orientações do conselho competente? Ou é de admitir a negligência no cumprimento dos deveres legais e a tolerância em relação às ações ilegais e propositais, vinculadas a compromissos anos-luz distantes do juramento de Hipócrates? Durante a pandemia, foi exatamente do CFM que partiu a mais sórdida agressão aos preceitos científicos e o maior desmentido ao juramento prestado solenemente pelos profissionais da Medicina. Agora, o ex-Presidente, um dia chamado de mau militar por um alto oficial das forças armadas (quem se lembra dele, Ernesto Geisel?), promove sessões de circo mambembe (que me perdoem os sempre lembrados artistas que atuam sob a extensa lona), sob o olhar - ou a indiferença cúmplice - licencioso da direção e, pode-se supor, da equipe clínica de um hospital privado. A pantomima não foi apresentada na calçada frontal ao hospital, nem nos corredores ou em alguma das instalações normais do estabelecimento, mas na Unidade de Terapia Intensiva. Este, local destinado a acolher pacientes em estado grave. Com direito e receber asseclas e sócios, como se todos estivessem nos confortáveis escritórios que costumam receber parceiros de negócios. Mais, ainda, tendo o privilégio de montar verdadeiros espetáculos, com a iluminação exigida nas emissoras de televisão ou estúdios cinematográficos. Para levar aos espectadores imagens depreciativas da humanidade, porque inspiradas em impudicícia inadmissível e dignas apenas de comiseração. Ou seja, uma pantomima merecedora, no mínimo, da iniciativa do Ministério Público, porque não interessa à sociedade ver conspurcados locais e atividades destinados ao tratamento de enfermidades. Defender a sociedade é o dever maior do MP. Daí, o mínimo que cabe diante das cenas de mau gosto e mau caráter produzidas e transmitidas da UTI do hospital da rede D'Or, em Brasília, é o órgão tomar a iniciativa de determinar a investigação dos produtores, atores e demais envolvidos na trama tragicômica. Depois, fazê-los responder ao devido processo legal. Não importa que, no caso de alguns desses protagonistas, se trate apenas da reiteração de conduta costumeira. Também o CFM e o CRM-DF poderiam fazê-lo. Até, para começar a passar a lixa na imagem projetada durante a pandemia. Uma forma de não ir de vez para o lixo.

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