Juntando os pontos
A fuga do candidato derrotado para os Estados Unidos da América do Norte, sua pátria de eleição, diz muito mais do que até agora enche o noticiário, aqui e fora do País. Somam-se aos que preveem alívio no ambiente social, e também limpeza, que a ausência dos espécimes de mesma qualidade só faria aumentar. Os que ficam dentro do País, menos porque amem a que dizem ser sua pátria, mais porque lhes faltam meios de fugir, continuarão a aplaudir os gestos e ademanes nazifascistas, enquanto outros se sentem inclinados a voltar à porta dos quartéis, para orar e fazer reverências diante de pneus de automóveis. Os quartéis já não são os mesmos, porque aqui não há Abrantes. O clima social está menos poluído e o sonho dos golpistas - pesadelo dos democratas -, como no poema de Drummond, já não há. Resta a todos, especialmente aos que desejam um país em paz, irmãos reconhecendo irmãos, todos empenhados em seguir a trajetória que a grandeza territorial, os recursos no território contidos e a dignidade dos cidadãos favorecem, é maior que a mais vil traição. Não se pode descurar, todavia, de certos aspectos que muitos - se não quase todos - os meios de comunicação e seus profissionais negligenciaram. Alguns desses aspectos relacionados diretamente à índole, sentimentos e valores assaz revelados pelos protagonistas, o fujão principal e seus círculos mais íntimos. Neste caso, pode-se inverter a sentença dize-me com quem andas e direi quem és. Cabe alterar a proverbial e antiquíssima sentença, para afirmar dize-me quem és, saberei com quem andas. Assim o autoriza qualquer estudo, mais superficial ele seja, relacionado à conduta e às razões que a inspiram, se tratamos do fujão derrotado. As denúncias, acusações e investigações a propósito de ilicitudes praticadas não são coisa nova, no zero-hum-à-esquerda que quase 64 milhões de brasileiros expulsaram do País. Como a confirmar que cesteiro que faz um cesto faz um cento, as práticas do fujão hoje tido por covarde por grande parte dos que ontem lhe rendiam homenagem e faziam juras de fidelidade, permite suscitar a hipótese de novo instituto no Direito Penal Brasileiro - o da presunção de culpa. Assemelhando-se, com grau de gravidade maior, aos que ele mesmo chama bandidos, não será demais usar uma de sua frases mais usadas, na revelação do ódio de que se alimenta: lugar de bandido é na cadeia. Ou, como a realidade mostra, lugar de bandido é nos Estados Unidos da América do Norte? Quem disser que o zero-hum-à-esquerda surpreende enquadra-se dentre os ignorantes, em alguma de suas facetas. Aquele ao qual não chegaram as informações divulgadas sobre as más façanhas do protagonista, em avassaladora documentação por ele mesmo e seus sequazes produzida e posta em circulação. Outros ignorantes há, por nutrirem seu juízo do mesmo ódio devotado pelo clã do fugitivo (neste caso, dos fugitivos) traidor, quem sabe já empenhado no esforço que outro de seu mesmo sangue despende, para ver o Brasil atingido por um míssil atômico. Há alguns outros aspectos a considerar, no extenso rol de pontos que interessa à sociedade conhecer. Mas a riqueza delituosa e deletéria do principal vilão - o vilão da hora - forçou a redação de outro texto. Ele decerto virá!


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