top of page

Inocentes e culpados

Sempre que se fala em reformas que afetem o sistema penitenciário, são mencionadas questões selecionadas pelos piores interesses e motivações. Recorrente, a dosagem das penas para diversos crimes é agravada, sem que a inibição dos criminosos potenciais seja alcançada. Ao mesmo tempo em que se critica a demora processual, mantém-se o STF afastado da que seria sua função essencial, para não dizer exclusiva - a de corte constitucional. Como funciona hoje, o colegiado superior do Poder Judiciário será levado a julgar até briga de vizinhos. Se é que ainda não o faz. Parece-me indiscutível a necessidade de introduzir alterações de ordem estrutural, a começar pelas regras relativas ao preenchimento das vagas daquele órgão. Algo que ratifique as tão propaladas autonomia e harmonia dos poderes republicanos. Como está, já se sabe, República e democracia acabam por ser neutralizadas. Não se dispensem, porém, alterações de ordem processual, em muitos casos aptas a tornar o processo judicial mais próximo da justiça desejada. Refiro-me, especialmente, ao instituto da presunção de inocência, decerto um ingrediente democrático. Tanto quanto, admitamos, o amplo direito de defesa. Ambos, todavia, têm levado a desvios que cumpre ao legislador remover, se é sua intenção a de facilitar o acesso de todos à Justiça e à decisão mais breve do que hoje ocorre. Não tem bastado considerar a reincidência como agravante das penas. É preciso ir mais além. Pensar na possibilidade de levar aos autos o percurso de vida do réu poderia desembocar em novo instituto, até para evitar tratamento igual a condutas diferentes. Se todos desfrutarem da presunção de inocência, os que têm sua folha corrida suja acabam por ser premiados. Com o que venho chamando presunção de culpa, que poderia pelo menos ser levada à discussão, pode-se corrigir essa injustiça.

Posts recentes

Ver tudo
Voo baixo

Desde cedo, tive minha atenção despertada para as formas e o conteúdo da expressão humana. Ao longo da extensa trajetória que me ofereceu a oportunidade de atuar em vários meios de comunicação, acabei

 
 
 
INPA na praça

Quando for escrita - porque isso cada dia mais se mostra necessário - a história do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA há de revelar com clareza os estágios por que passou a instituiçã

 
 
 
Hipóteses

Noesso tripulante e colaborador assíduo Lúcio Carril está mais uma vez no ESPAÇO ABERTO. O texto do sociólogo comenta o discurso de Lula, na abertura oficial de sua campanha pela conquista do 4° mand

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page