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Formas de privatizar

Por pior que se diga da comunidade universitária, gregos e troianos gostariam de tê-la sob seu controle. Mesmo que alguns neguem, parece clara a influência de professores, pesquisadores e consultores na formação do espírito e da opinião pública em cada época. Tome-se a pandemia e questões por ela despertadas, logo se encontrarão os fundamentos do que ora se afirma. Contra todas as evidências científicas, prosperou intensa recusa política à percepção e cuidados médicos que tornariam menor o sofrimento dos brasileiros. A Universidade, quanto mais aberta e democrática, melhor retratará a sociedade em que se insere. Daí a pertinácia de manter-se, nem sempre em caráter majoritário, na comunidade acadêmica, forte compromisso com a autonomia e a persistente defesa das razões por que a instituição nasce e se desenvolve - a produção e transmissão de conhecimento e a prestação de serviços daí decorrentes aos diversos segmentos sociais. Disso haverá de resultar, sempre, enorme e crescente aproximação da comunidade universitária com a sociedade abrangente. Dado o caráter público da instituição, suas prioridades hão de estar vigorosa a e permanentemente voltadas para os segmentos sociais mais carentes. Não parece ser isso o que vem fazendo a Universidade Federal do Amazonas. Exemplo desse nocivo distanciamento responde, agora, pelo envolvimento da UFAM em processo danoso ao ambiente e à população do Municipio de Autazes. Mais grave, ainda, quando se sabe desrespeitados legítimos direitos dos indigenas, ocupantes e, portanto, donos originais da área onde a voracidade do capital deseja explorar o potássio. Alguns dos profissionais de boa fé (ainda os há) desautorizaram o uso de seu nome e seu conhecimento em peça acadêmica supostamente elaborada para tanger a boiada e concorrer para o extermínio das populações originárias, de resto um das mais desejados sonhos da elite brasileira. Dessas formas nada sutis de subjugar os interesses da maioria a cupidez se tem nutrido.

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