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Exemplar o quanto possa

21 de jul. de 2023
2 min de leitura

Há os que sabem passar o pano de forma sutil. Mostram-se indignados porque, informados da prática de crimes, sentem-se na obrigação de aparentar a indignação sinceramente ostentada por outros. Apegados a preconceitos e sentimentos generosos mas nada justos, também temem passar à opinião pública a impressão de que são carrascos. Talvez tenham razão, porque mesmo a indignação tem lá seus limites. Nunca se sabe como será o dia de amanhã. É assim que vejo certas críticas ao Ministro Alexandre de Moraes, agredido verbalmente no aeroporto de Fiumicino. Se as palavras feriram apenas os ouvidos do Presidente do TSE, seu filho teve pior sorte. Um esbarrão (acredite nessa circunstância quem quiser!) acabou por quebrar os óculos do adolescente. As primeiras investigações do órgão competente - a Polícia Federal, sarjados alguns tumores que a infectavam - aconselharam ao Ministro, o mesmo que preside os processos relacionados aos atos terroristas de 08 de janeiro e a disseminação de fake-news, a busca e apreensão de documentos e registros dos arquivos dos agressores. Tudo dentro da lógica do devido processo legal. Este, pedido por muitos diante das câmeras de televisão, é rejeitado, se a mínima probabilidade de agir como manda o figurino ameaça levar as investigações a fundo. Nada mais lógico e plausível, portanto, que o Ministro Alexandre de Moraes colha tantas quanto possíveis informações sobre seu agressor. Em especial, depois que o líder, em improvável (mas efetiva) confissão, atribuiu as amarguras e os constrangimentos por que ele mesmo passa, ao que chamou de conjunto da obra. Ou seja, o ex-capitão excluído das forças armadas admite que esse conjunto é recheado de motivos suficientes para pô-lo no banco dos réus. Mas não é só isso que torna admissível e louvável a conduta do Presidente das investigações. E de outras, todas elas tendo a ver com a frustrada tentativa de nos devolver à abjeta situação ditatorial. Roberto Mantovani é filiado ao partido do seu líder e por ele disputou a Prefeitura de uma cidade do interior de São Paulo. Mais um "apolítico" mergulhado naquele pântano de porcaria, como costuma qualificar esse tipo de gente. Onde mais os órgãos de investigação possam encontrar sinais da prática de crimes, que lá esteja! Só isso ajudará a compreender com mais clareza o subterrâneo em que operam certos tipos, há tempos empenhados em destruir uma democracia que poderá dar exemplo para o Mundo. E já não o faz sem algum atraso.

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