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Escrava branca

Há várias formas de manifestar aquilo a que os estudiosos chamam servidão voluntária. Muitas vezes, movidos por ela, alguns que se proclamam defensores da liberdade acabam por revelar convicção e comportamento absolutamente vinculados à subserviência. Não sendo vítimas de patrões escravizadores, põem à disposição de outros agentes a subserviência que frequentemente os tem levado a posição de destaque na sociedade. Quando optam pelo desempenho de uma função pública, esperam a primeira oportunidade e o mais suave caminho, par revelar a conduta servil que simulam combater. O fanatismo, a ignorância, a prepotência, o interesse superlativo em bens materiais, a escassa apreensão dos que diz seus semelhantes, tudo isso pode servir de base para a negação do livre arbítrio. Se este é, de fato, um traço distintivo dos homens, dentre todos os animais. Quando Étienne de Boétie (1530-1563) criou o conceito de servidão voluntária, ele não seria capaz de pensar que cinco séculos depois suas ideias ainda estariam tão atuais. Pior, a ação deflagrada em 1789, com que seus pósteros estabeleceram uma nova fase na história universal, não impediu a submissão crescente de seres humanos às mais diversas formas de servidão. Curioso, no entanto, é observar quanto os prepotentes tentam fazer dos demais seus fiéis e obedientes seguidores, ao mesmo tempo em que servem a valores, ideias e bens que os tornam indivíduos servis. É bem o caso de uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Pará, capaz de afrontar Étienne de Boétie, fundando sua lamentável e despropositada manifestação. Diz a magistrada Eva Amaral Neves que, se reduzidos os exorbitantes penduricalhos remuneratórios, ela e seus colegas chegarão ao estado de escravização a que é submetida a maioria do povo brasileiro. Há, portanto, pessoas que são escravizadas. Outras escravizam-se por si mesmas.

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