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Diálogo de Natal

Vitória Seráfico*


O pisca-pisca das lâmpadas e aquela musiquinha suave despertaram a atenção de Pedro. Sem entender bem o que era aquilo, o menino se aproximou da Árvore de Natal. Não era muito grande; aproximadamente 1,50 m de altura, mas se tornava quase gigantesca ante a figura franzina do garoto.

    Ele parou para observá-la. Mostrava-se extasiado com a beleza daquele vistoso objeto, até então desconhecido para ele, com bolas multicoloridas, brilhantes, num constante acender e apagar, além da música tão bonita que invadia o ambiente. Diante da Árvore, a criança sonhava. E conversava. Sim, Pedrinho punha-se a “conversar” com a Árvore de Natal:

         - quem é você?

         - Eu sou uma Árvore de Natal.

- Árvore ... de... Natal? Eu não sabia que existia árvore de Natal. Na minha rua há muitas árvores; mas eu não sabia que o Natal tem árvore!

- Natal tem árvore, sim.

- E quem plantou você aí?

- Ah, quem me plantou aqui? O Amor.

- O Amor? Não entendi! Amor a gente nem vê! Não tem pernas nem braços; como é que pode plantar alguma coisa? Você está brincando. Me diga: quem plantou você aí?

- O Amor, já disse.

- Mentira sua. Você está mentindo pra mim.

- Meu menino, foi o Amor que me plantou aqui. Mas eu não estou só aqui. Eu estou também no coração das pessoas.

- O quê? No meu coração não há nenhuma árvore de Natal. Você está é maluca!

- Estou, sim, no seu e no coração de todas as crianças. E mais: no coração de todas as pessoas que sabem o que é AMOR.

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*Formada em Letras, pela Universidade Federal do Pará, a autora é cronista e artista visual. Vez por outra, comete alguma letra de composição musical. É uma das colaboradoras deste blog.

 

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