Candidatos do faz-de-conta
- Professor Seráfico

- há 2 dias
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Fossem poucos os tolos e os ingênuos, só a multidão de mal-intencionados explicaria a presença de tantos candidatos à Presidência da República. Entre os que hesitam, ora proclamando-se na disputa, para depois abandona-la, ora alegando que um dia poderão chegar ao Planalto, porque Lula só foi eleito depois de três derrotas eleitorais; ora, enfim, mantendo a candidatura até o revés previsível - há um vínculo obscuro, mas não tão difícil de identificar. Basta saber da história de cada um e articula-la com o cenário político a que assistimos, desde os momentos fundadores de nossa república. Nenhum deles pretende, de fato, chegar ao Planalto. Desde que isso lhes traga ganhos pessoais ou grupais, objetivo alcançado quando se aproximam de quem tem as chaves do cofre. O Erário, tão mal falado - e, todavia, o objeto de sedução mais vigoroso. A presença e Lula, que vislumbra um quarto mandato, é longeva, sobretudo, porque ele mesmo se crê escolhido para cumprir missão a que ainda nenhum outro como ele se entregou. O carisma que mesmo seus adversários reconhecem nele, portanto, explica em parte sua permanência e a tolerância que o fez, três vezes vencido, continuar a caminhada que se espera encerrada em 2030. Tudo o que se disser dele, no afã de arrebanhar votos, desfaz-se ao menor sopro. Aí repousa a prática dos que o criticam, quase sempre carentes de argumentos, projetos e outras preocupações, se não o enriquecimento material. Deles mesmos, candidatos, como de seus mais próximos, sejam familiares ou sócios e paus mandados. Os que logo abandonam a candidatura, é certo, só o fazem depois de assegurar os ganhos (embora reduzidos) que imaginariam obter, caso chegassem ao posto supostamente cobiçado. Os que resistem e ainda permanecem reafirmando seu desejo de chegar à Presidência, no meio do caminho estancam, porque o que lhes terá sido previamente assegurado basta à satisfação de sua voracidade. Afinal, mesmo sem ser almoço, uma candidatura nunca é gratuita. Ao final, não sendo suficientes os votos do candidato mais votado, o segundo turno pode render boa grana e influência aos que jurarem fidelidade aos disputantes da partida final. Tem sido assim, por que imaginar que será diferente, em outubro que se aproxima?

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