top of page

Brasília não é Hamelin

Uma coisa pode ser contabilizada no crédito da discussão da anistia: a sociedade pode conhecer os inimigos da democracia, antes escondidos. Pessoas que juravam amor à humanidade acabaram por descuidar-se e deixar cair a máscara atrás da qual mantinham bem guardados o desamor à humanidade e o desprezo pela democracia. Pior, a revelação de seus reais interesses, a que se juntam as mais torpes motivações, leva-os a ignorar palavras e atos farta e cabalmente comprovados. Talvez incomodados com a apuração das instâncias e autoridades constituídas para fazê-lo, e perturbados com a instauração do devido processo legal, experimentam o desespero gerado pela pior das expectativas - a de verem seus inspiradores, líderes e parceiros a caminho da condenação judicial. Sabem-se os inimigos até aqui encobertos da democracia, o risco que correm, mais avancem as investigações. Como se diz das avestruzes, preferem construir e divulgar imagem absolutamente divergente de tudo quanto a Polícia Federal tem apurado, a Procuradoria Geral da Justiça vem promovendo e o Supremo Tribunal Federal transforma em sentença. Curioso, mais que o interesse pela recomendação de Goebells (mentira dita mil vezes ganha foros de verdade), é fingirem não ter ouvidos nem olhos para ouvir e ver a montanha de documentos e imagens coletadas pelos investigadores, raras delas produzidas por outras pessoas, além dos próprios atores indiciados na tentativa de golpe de Estado. Olhos viciados, ouvidos moucos, os golpistas de bastidor fingem não ter entrado em suas confortáveis salas de televisão a imagem da destruição promovida nas sedes dos três poderes, no vergonhoso 8 de janeiro de 2023. Sua cegueira, moral e mental, impediu a avaliação da súcia invasora, transformando todos em pobres e inocentes idosos, atraídos aos palácios republicanos pela qualidade estética e o valor histórico das peças que os guarnecem. E os terroristas invasores destruiram. Objetos cortantes, outros contundentes, frutos da ação de algum flautista mágico, como o de Hamelin, pareceram-lhe instrumentos musicais destinados ao concerto comemorativo da fraternidade extemporâneamente solicitada. Sequer se dão esses observadores sem nenhuma vocação cartesiana (ao menos isso) o trabalho de estabelecer as relações mais do que provadas, entre os participantes da empreitada democraticida, em seus diversos núcleos. Com o que fazem-se eles, também, apoiadores e cúmplices. Brasília não é Hamelin. Bocas sujas e tortas não emitem sons como as flautas. Ratos, no entanto, os há em todos os lugares. Um dia, por numerosos, os esgotos obrigam-nos a mudar de habitat. Só a democracia e suas conquistas - o Poder Judiciário, a maior delas - conseguem conter a ação dos roedores.E fazer das celas penitenciárias, os covões onde será abrigada e protegida sua maldita índole.

Posts recentes

Ver tudo
Retrato de uma época

Vai-se confirmando, cada dia com maior clareza, suspeita que mantenho faz tempo, e gostaria de ver desmentida pelos fatos. Refiro-me ao envolvimento de gente graúda e instalada em posições importante

 
 
 
O marco de amanhã

Amanhã, em sessão que se espera aberta a todos os brasileiros (e estrangeiros que se interessam pelo Brasil,) será julgada a liminar sobre os penduricalhos , como os chamou o Ministro Flávio Dino. A a

 
 
 
O calor está mais próximo

A todo soba animado por propósito imperial interessa fazer do Poder Judiciário, se não sua guarda pretoriana, o capanga dedicado à remoção da sujeira por ele mesmo produzida. Essa a concepção dos dita

 
 
 

Comentários


bottom of page