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Bonecos e bonequeiros

1 de mai. de 2025
2 min de leitura

Faz pouco tempo, muitos davam pouca importância ao BRICS. Havia mesmo os que lhe previam destino semelhante às débeis tentativas de organização sob o manto do que, pejorativamente, chamavam terceiromundismo. Até que a crise climática, o avanço da direita em escala mundial e a trumpanagem transformaram a nova organização em protagonista de primeira grandeza no cenário internacional. Reunindo expressiva parcela da população do Planeta e importante percentual do PIB, o BRICS passou a atrair a atenção não apenas de nações ditas emergentes, mas de lideranças que tendem a engrossar as propostas até aqui anunciadas. Uma delas, a criação de moeda que, pelo menos, dispute com o dólar o direito de uso nos negócios entre nações. Não sendo a crise do clima assunto do qual possa ser excluída qualquer nação, a relevância do BRICS, pelo que ela representa do espaço da Terra a que corresponde, tenderá a crescer, até que se chegue a um consenso sobre os riscos que o atual processo de acumulação impõe à população do Mundo. O retorno dos ideais nazifascistas, ademais, despertou o interesse de atores até então despreocupados, iludidos de que o fim da Segunda Guerra sepultara as lutas pelo espaço vital e o imperialismo que não conseguira firmar-se para durar pelo menos um milênio. Pois é desse falso espaço vital que Donald Trump fala, quando sonha fazer do Canadá o 51º estado norte-americano, da Groenlândia o seu novo quintal e de Gaza o resort de seus patrícios endinheirados. Agora, Trump tem que enfrentar não só os inimigos que ele se vê forçado a bajular, sempre com expedientes e mentiras nada louváveis, mas também nações, povos e governantes agredidos por sua brutalidade e absoluta falta de bons modos. Da mesma categoria ética e profissional de Wolodmir Zelensky, dele se diferencia apenas porque o boneco raramente é promovido a bonequeiro. É nas mãos deste que estão os cordões. Pelo menos eu,, sempre haverá alguém imunizado contra a surpresa, quando o ex-pretenso-dono-do-mundo esteja de joelhos diante de outros poderosos, Como o leão-de-chácara da Ucrânia, na Casa Branca.

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