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Atrasado, mas louvável

Custa crer que só agora tenha surgido algo como o projeto Pé-de meia. É antiga a constatação de que necessidades materiais respondem substancialmente pela evasão escolar no ensino fundamental. Jovens e crianças deixam a escola e interrompem (ou abandonam em definitivo) sua escolaridade porque precisam assegurar a própria sobrevivência. Ou, forçoso é dizê-lo, a subvivência. Ou seja, pratica-se uma forma de assassínio do futuro, porque parece não haver força capaz de vencer o egoísmo e a ganância que impedem alterar profundamente a injustiça social reinante. Ao contrário, cada dia o aparelho estatal perde seu caráter público, sequestrado por interesses avessos aos direitos dos pobres e miseráveis. Este adjetivo tomado em seu sentido mais palpável, qual seja o aplicado às necessidades materiais das pessoas. Do outro lado, os miseráveis políticos e morais usam de todas as formas de pressão e repressão, com o intuito de manter os padrões de desigualdade no nível em que a conhecemos. Nem se fale em políticas redistributivas, como a taxação das grandes fortunas, a drástica redução de estímulos e incentivos fiscais e tributários e a tributação da transferência de capital por via do instituto da sucessão. O ócio improdutivo premiado. O projeto Pé-de-meia, agora, permite até flagrar o governador do Estado do Amazonas ostentando ar de felicidade, como se a aparência pudesse esconder sua adesão a práticas e políticas francamente voltadas à manutenção da iniquidade característica de nossa sociedade. Isso tudo, quando seu pé-de-meia se vai multiplicando em cifras difíceis de esclarecer. Pelo menos, é o que corre à boca pequena. E o que pelo menos torna verossímil e relacionada a aquisição de ventiladores hospitalares em loja que vende bons vinhos. De qualquer maneira, a maior e melhor intenção, aqui é a de saudar a decisão do MEC. O Pé-de-meia chega tarde, mas chegou.

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