American nightmare

O mundo sente alívio, no day after ao do encerramento do mandato de Donald Trump. Se aos habitantes dos Estados Unidos América do Norte é proporcionada a oportunidade de reacender as esperanças, para as outras nações é removido fator de desassossego e de ameaça que durou quatro anos. O empresário que o eleitorado norte-americano enxotou da Casa Branca tentou o quanto pode conturbar o resultado eleitoral. Insistiu em desafiar a limpeza das eleições, contra todas as evidências. Pior, mobilizou apoiadores ensandecidos, à revelia da legislação do País e em flagrante agressão às instituições. A rigor, houve pouco motivo de surpresa na conduta do derrotado ex-Presidente. Na verdade, tanto os inimigos que Trump cultivou no exterior quanto os norte-americanos, jamais descartaram durante os quatro últimos anos a hipótese de seus dedos premirem o botão detonador da guerra atômica. Num mundo marcado pela virtualidade, nada mais apropriado que manter a iminência de um novo conflito em escala global. Exemplo vivo da barbárie correspondente às relações sociais esfarrapadas pelo egoísmo e sustentadas pela mais voraz competição, Donald Trump deixa um rastro de ódio e tragédia, em seu país first; no mundo todo, depois. É isso que representam os mais de 400 mil mortos pela covid-19, colheita recorde do registro também recordista no número de pessoas infectadas pelo vírus. Se há uma consequência positiva da passagem do empresário acusado de ilícitos tributários pelo Fisco dos Estados Unidos, esta será a revelação dos desvios que comprometem a fama do sistema político norte-americano. Só então, e olhos atentos à conduta do ex-Presidente, foi possível à população do mundo perceber as fragilidades da democracia segundo o figurino lá estabelecido: o sistema eleitoral indireto, em que a delegados, e não a cada eleitor, cabe a escolha do Chefe do Poder Executivo. As razões históricas, agora as conhecemos, têm como fundamento a essência do sistema econômico, a busca a todo custo da acumulação, não a conquista do bem-estar social. Em outras palavras, uma ordem social necessariamente desigual, sobejamente retratada na repressão policial, em especial exercida contra os pobres, os pretos e outras porções exploradas da população. Pode ser que, a partir de ontem, católico que não volta as costas para o inspirador da Igreja, Joe Biden empreste pelo menos um de seus ouvidos às reiteradas prédicas de Francisco. Isso fará aumentarem as chances de restabelecimento do american dream, criminosamente transformado em enorme pesadelo. A conferir...

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