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Adição ou redução - FELIZ ANO NOVO!

Há quem veja no tempo uma simples ficção. Ele seria coisa inventada pelo homem, ilusão ditada pela curiosidade e pela esperança. Às vezes, desesperança. Perde o sentido preocupar-se com ele, nem se justifica segundo alguns físicos (logo quem!), perdê-lo tratando dele mesmo, ilusão nada mais. Outros, sem socorro na Ciência de Einstein, afirmam-no passando ao largo dos interesses humanos, para ao final derrotar-nos. Por enquanto, de forma inapelável. A pedra filosofal jamais encontrada, embalde tantos e perenes esforços, aparenta cada dia tornar-se descoberta. Onde está a fonte da juventude e como torná-la presente continua a preocupar e ocupar mortais enquanto ainda o somos. Poucos se dão conta de que não é o Tempo que passa, porque - qualquer o conceito que se lhe ofereça - ele já estava aqui quando cada um de nós chegou, e ninguém consegue desmentir que ele permanecerá depois que um a um nos tivermos transferido de plano. Nossos pés não pisarão mais sobre o solo; e sobre ele ficarão apenas os que sobraram. Sem que se altere sua condição de simples passageiros. E o Tempo, que certo poeta um dia disse ser um canalha, receberá novas e sucessivas levas de mortais. Maior ou menor a permanência, nós é que passamos por ele. Sujeito às zombarias de que é capaz, imagem que não conhecemos, força que ignoramos. Sabemos, porém, que ainda não foi possível vencer esse embate, tão eterno quanto o inimigo. A despeito de sua invisibilidade. Para uns, a Vida, essa sucessão de ontens que fazem o hoje e hojes que alimentam o amanhã, tem sido longa; outros a têm breve. Muitas vezes, demasiadamente breves. Nem sempre sábias. É o que acontece, décadas depois de iniciada a passagem que não sabemos previamente quando se interromperá, admitir que um novo ano acrescenta alguma unidade do intrigante fenômeno - se de fato ele chega a ser isso. Façam-se os cálculos. Se é possível viver tão longamente, nossa empáfia e pretensão logo tratam de prolongar quanto possível a permanência. A expectativa de Vida, fantasia que ajuda a suportar o peso de viver, se não reduz o risco de abandonarmos o cenário tão cedo, é apenas uma hipótese. Será ou não comprovada, caso a caso. Se não nos deixarmos enganar, não incidiremos no louco otimismo de tornar-nos eternos. Pelo menos, por enquanto. Daí ser adequado admitir que, após tantas décadas vividas, melhor seria dizer que cada ano que se registra, se acrescenta idade aos mais jovens, consome o que resta a muitos outros viver. A sabedoria está (lá vêm a arrogância e a pretensão humanas!) em saber quando é justo fazer a soma ou, ao contrário, operar a redução. Do Tempo, esse canalha! - a um NOVO ANO que chega. FELIZ ANO NOVO, para os que somam e os que apenas desfrutam o que lhes resta de saldo.

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